Sexta-feira, 21 de Abril de 2006

Masturbação

Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam - correm
e voltam sem cessar

e então são os meus
já os teus dedos

e são meus dedos
já a tua boca

que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo - conduzo
pensando em tua boca

Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios

que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma.

                                               Maria Tereza Horta


Escrito por Marisa às 14:44
Piacere | Vero? | Grazie
16 comentários:
De José Vassalo e Silva a 21 de Abril de 2006 às 16:37
Tereza Horta sempre foi uma guerreira, uma lutadora pela liberdade equitativa das mulheres na sociedade portuguesa. Este poema erótico, mas tão social, eleva-nos á realidade fria, nua e crua, da mulher que, ainda está subjugada, aos caprichos do homem. É um belissimo poema de alguem que consegue sempre ser «lindissima». O amor não tem fronteiras ...
De Marisa a 21 de Abril de 2006 às 16:51
Concordo em absoluto caro José, agradeço-lhe a visita e breve exposição sobre a autora.
Espero que lhe tenha agradado e que portanto volte a visitar e deixar a sua opinião. Grazie, baci.

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