Sexta-feira, 21 de Abril de 2006

Masturbação

Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam - correm
e voltam sem cessar

e então são os meus
já os teus dedos

e são meus dedos
já a tua boca

que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo - conduzo
pensando em tua boca

Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios

que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma.

                                               Maria Tereza Horta


Escrito por Marisa às 14:44
Piacere | Grazie
De Ca a 26 de Abril de 2006 às 01:15
Qualidade tem duas vertentes: produzida ou reconhecida. Marisa possuis ambas. Admiro-te ainda mais por isso. Tens qualidade nos textos de tua autoria e os textos que escolhes colocar no teu blog possuem qualidade, portanto, reconheces qualidade noutro(a) autor(a). Muito à frente! Sou tua admiradora. Adorei o poema. Acrecentar ainda, que para mim é fantastico aboradares este tema (relacionado com sexo) que só tem maldade quando lhe colocam. Pode e deve ser um tema como outro qualquer, pois é um assunto importante como tantos outros. Parabens por ser genuina. Ca
De Marisa a 26 de Abril de 2006 às 11:48
Obrigada pelas visitas, gosto dessa... fidelidade...
Sabes que é melhor darmos a conhecer quem sabe fazer bem, do que tentarmos de forma infrutifera chegar lá. Um beijo.
De paulo2006 a 4 de Maio de 2006 às 17:53
Maria Tereza Horta ?
Tem nome de professora de portugues do ensino secundário ou no máximo assistente da faculdade.

Nariz adunco.., favolas.., umas sandálias tipo S Francisco de Assis para dar ar proletário....;

Roupa escura larga.

Essa indumentária é também para afastar os machos que porventura pudessem ter ilusões de que a Tereza fosse presa fácil.

Na poesia ela é tórrica.

Mas depois macho que a visse...., ficava logo no seu lugar- petreficado com a imagem dessa Tereza

É a imagem que faço dessa Tereza Horta.



De Marisa a 4 de Maio de 2006 às 18:09
Pois eu isso desconheço, agrada-me é o poema, agora como ela é, é-me completamente indiferente!
Grata pela visita...
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