Terça-feira, 3 de Abril de 2007

Chegar... lá!

Adoro quando acordo e percebo que está a olhar para mim contemplando, ou talvez para o nada, para o horizonte, ou se calhar para a memória do que fomos ali há pouco tempo atrás.

O meu primeiro sorriso do dia, partilhá-lo com alguém… espreguiçar-me, bocejar, ajeitar os cabelos e aquele olhar mantém-se intacto, quase hipnótico, um leve sorriso, desperta em mim um desejo apenas adormecido… recomeçar… devagar…

Queria perpetuar aquele momento belo, entre o que já foi e que o que há-de ser, aquele intervalo maravilhoso entre o paraíso e a doce realidade…

Houve uma altura da minha vida, em que o que desejava mais que tudo, naqueles momentos intensos e sempre únicos, era obter um maravilhoso e poderoso orgasmo, era quase como se todo o momento, toda a sedução, todos os toques, todos os gemidos, tivessem um só propósito… chegar lá.

Tudo o que queria mesmo, eram aqueles momentos fugazes de puro êxtase, de completa loucura, de respiração entrecortada, de calafrios ou suores frios, não importava mais nada, não importava como, queria chegar ao clímax e muito...

O que era de facto bastante prazeroso, o que me fazia e faz de facto, um sorriso bestial e um bem estupendo à pele, ahahaha, eu sei… mas acho que já não quero tanto chegar lá… não assim.

 

                

             

Quer dizer, continua a ser incomparavelmente belo, inigualável, maravilhoso, poderoso, o acto de sentir um orgasmo, a completa liberdade do momento, por vezes tão intenso que não consigo sequer mover-me, reagir, só tremer, completamente possuída, realmente bom, mas agora o que aprecio mais é todo o caminho para chegar lá e se no fim não obtiver um selvático orgasmo, mas se todo aquele percurso foi prazeroso e bem aproveitado, então valeu a pena.

Acho que percebi que a piada de subir uma montanha, não é só chegar ao topo, mas contemplar tudo o que temos até lá chegar, aproveitar cada pedaço de natureza, ou de corpo, ou de alma, fazê-lo ao nosso ritmo, da forma que mais prazer nos dá, percebendo as diversas etapas, senti-las, querê-las…

E no fim, quando lá chegamos e porque conseguimos lá chegar, então aí sabe muito melhor olhar cá para baixo, para o infinito como é afinal o prazer e sentir que aproveitámos cada centímetro daquele percurso, do momento, saber que tudo fizemos para lá estar … no topo, que é afinal onde merecemos estar…

Subir a uma montanha deve ser mais difícil que alcançar um orgasmo, quer dizer havendo a questão do seu tamanho, mas tem como principio valorizar e preparar antecipadamente todos os passos, de modo a ser perfeito… e uma vez lá em cima, é só olhar em redor e contemplar o horizonte…

 

Escrito por Marisa às 17:26
Piacere | Vero? | Grazie
16 comentários:
De Ca a 20 de Abril de 2007 às 17:21
Ler-te é quase, quase equiparado!! :))

Bela descrição, bela analogia.

Parabéns.

Adoro-te amiga.
De Marisa a 23 de Abril de 2007 às 11:20
Esta mulher estraga-me com mimos!
Sabes que és muito especial para mim não sabes?
Baci...
De Anani a 17 de Abril de 2007 às 10:48
Vero, totalmente vero...
De Marisa a 17 de Abril de 2007 às 11:04
Beijinho...
De homem de negro a 5 de Abril de 2007 às 10:10
Olá...
Minha cara marisita, passei por aqui para ver de si e das suas histórias e fico feliz em saber que continua "cada vez mais na mesma". De facto, cá encontrei o vero piacere de ler uma história sua, da mulher que vive a sua sexualidade em pleno e sem tabus, fazendo, seguramente, muita inveja a quem não consegui libertar-se de horizontes diminutos e sensaborões...
O tampo ensina-nos que um orgasmo que se tem com quem se ama é incomparávelmente mais intenso, é a carga sentimental que o torna por demais especial. E, a pouco e pouco, conhecer o outro potencia que a intimidade seja real e que se saiba sempre o que fazer...
Baci per te, a gente vê-se por aí...
De Marisa a 5 de Abril de 2007 às 16:28
Homem...
Eu tenho como pretensão, apenas, expôr-me aqui como sou, não para fazer inveja a ninguem, como disseste, nem para me mostrar como gostaria de ser. Aqui sou só o que quero, nada além disso.
O orgasmo tem a importancia de ser um culminar de algo, que cabe a nós fazer com que seja bom e inesquecível, nada além disso.
Obrigada, baci per te ragazzo bello.
De Morgaine a 4 de Abril de 2007 às 22:03
Por vezes é fácil. Outras nem por isso, mas acho que é aí que reside tudo: saber saborear cada escalada, mesmo que por vezes escorregemos um pouco para trás é só continuar, tal como uma aventura e no fim, quando a escalada está completa e quase se perdem os sentidos (quanto mais alta a montanha mais raro é o oxigénio), é um extase indiscritivel; por mais que tentemos descrevcer as palavras nunca chegam. Porquê? Porque um orgasmo não é só algo físco. É transcendente a nós, e sobretudo, começa naquela área onde ainda ninguém conseguiu chegar totalmente: o cérebro. Descreveste tanto Marisa.. mas falta ainda outro tanto não é? a parte que não sabemos.
De Marisa a 5 de Abril de 2007 às 09:51
Olá.
Parece-me que estamos de acordo, em relação ao meu texto, o que é muito bom.
O que falta, é algo que nos ultrapassa e que eu nunca teria a ousadia de tentar colocar em palavras...
Obrigada pela visita, é muito bom ler-te por cá, um beijinho.
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 4 de Abril de 2007 às 19:02
Ora viva!

Eu acho que já estou naquela fase que trocava um orgasmo por uma escalada numa montanha.
Sei lá, é mais fesco...
Talvez seja por isso que prefira mulheres frigídas e gélidas. Que saudades tenho do Euro 2004, que saudades tenho das suecas...
Tenho que ir para a escandinávia e escalar uma montanha nórdica, estou a ver.

Cara Marisa, óptimo texto! É o que eu digo, nunca me engano... Avalio sempre bem as mulheres.

Um abraço...
shakermaker
De Marisa a 5 de Abril de 2007 às 09:49
Ora viva, caro Shakermaker,
Que prazer é receber dois comentários seus, no mesmo dia, um privilégio, sem dúvida...
Pois agora o Shakermaker, procura mais adrenalina e ar puro, e menos gemidos, percebo.
Adorava partilhar da sua opinião, quanto ás suecas, mas eu de sueca, fico-me pelas cartas, sou uma moça recatada sabe e ainda pra mais se me diz que são gélidas então dispenso, que eu odeio pés frios (belissimo texto o seu sobre pés).
Mas olhe se for mesmo para o norte da Europa desejo-lhe já, uma óptima viagem e escale por lá o que bem entender!

Shakermaker, muito obrigada, lê-lo de si é sem dúvida, un vero piacere!

Um abraço.
De curiosa a 3 de Abril de 2007 às 22:27
Confesso que senti vertigens (e não só, lol ) ao ler este post !
A comparação está perfeita e certíssima !!!
De Marisa a 4 de Abril de 2007 às 09:24
Olá!
Que bom que te identificaste, ler algo que tem a ver connosco é muito bom.
Obrigada pela visita, baci per te.
De mfc a 3 de Abril de 2007 às 20:25
Ao ler-te surgiu-me logo a ideia que "o caminho" para o "chegar lá", talvez fosse o mais importante, mas tu "chegaste lá" também no texto. Disseste tudo.
Há um outro pormenor. É que a relação com o outro acaba por ser uma relação connosco através do outro! E só se ele estiver bem é que .... "se chega lá"!!
De Marisa a 4 de Abril de 2007 às 09:23
mcf, parece-me que estamos de acordo o que é bom... vemos o prazer de forma semelhante.
Quanto ao pormenor que refere, tem de facto razão, só a completa cumplicidade e o bem estar de ambos permite tal piacere, por isso referi o ar calmo, contemplador, próprio de quem está muito bem...
Cabe-nos a nós fazer o outro sentir-se bem.
Obrigada pelas suas palavras, um beijo.
De antídoto a 3 de Abril de 2007 às 19:16
Madura...
De Marisa a 4 de Abril de 2007 às 09:20
...under my skin...

Vero?

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