Segunda-feira, 12 de Março de 2007

D. Bia

A D. Bia foi a minha professora do 1º e 2º anos, não sei se já morreu, mas se já foi que Deus a tenha lá num cantinho em descanso…a grande filha da puta!

Apesar de ela morar em Fátima e ser devota sei lá eu de quê ou de quem…nunca tive a sorte que lhe caísse uma parte do santuário em cima…

Era uma daquelas solteironas que fazia questão de demonstrar toda a sua arrogância e fazer-nos a vida negra, mas no intervalo ia para a sala do lado chorar no ombro da colega, porque tinha uma classe horrível e porque não fazia nada de nós, isso queria ela… bem se fodeu.

Lembro-me do meu primeiro dia de escola, foi a minha mãe levar-me até à porta, chorava como se eu fosse para guerra e soubesse que nunca me tornaria a ver, enfim sempre morávamos a uns bons 500 metros da escola… vá-se lá saber!

Deu-me um beijinho apertado, disse-me que gostava muito de mim e que a partir daquele dia, a minha vida começava a ganhar mais conhecimento, obviamente que não percebi, mas agradava-me a ideia de estar todo o dia com tanto miúdo e principalmente com o meu amigo de sempre, o Paulo.

 

                        

 

Pois assim que entrámos na sala e no fim dos pais babados e chorosos irem embora, percebemos quem seria a cabra que teríamos pela frente, o sorriso deu lugar ao ar altivo e a cana-da-índia não era nada que nos confortasse… pois.

Notava-se claramente que era uma mulher fria, amargurada, quer dizer na altura, a mim parecia-me só uma gaja estranha com quem tinha de conviver grande parte do dia, mas nunca houve um carinho ou simplesmente simpatia da sua parte, só se estivéssemos ao pé da mamã, aí a mulher desfazia-se.

Ora um belo dia, está V. Ex.ª a D. Bia a ditar-nos um texto, por acaso era raro eu dar erros mas como estava um calor do caraças, estive um bocadito a marimbar-me para a coisa e vai daí dou pra aí uns 6 ou 7 erros, valha-me deus!

A senhora professora chama a Marisa, pergunta-lhe que trabalho foi aquele e ainda antes de eu respirar e fazer o meu melhor sorriso, levo com uma canhota, que a senhora também era esquerdina e claro procurei um buraquito onde coubesse pra sempre… mas não encontrei, vai daí, resolvi dar-lhe o troco e pregar-lhe com a minha humilde canhotazita, mais modesta bem sei, mas que a fez ficar piurça, sem nunca proferir uma só palavra, nem aos meus pais… aliás eu por acaso também não disse…

Bom, ficámos grandes amigas como se calcula, mas curiosamente nunca me tornou a bater, não sei se foi aí que começou a, agora tão vulgar, violência a professores, se foi… fiz história!

Não fiquei nada traumatizada, não passei a odiar a escola, ou a gostar menos de aprender, de conhecer, até porque a professora do 3º e 4º anos compensou tudo isto e mais que fosse.

A D. Dulce, era mais que mãe de muitos de nós, de uma simpatia extrema, de uma alegria contagiante e nós claro idolatrávamos a senhora, o que era de facto aborrecido pra outra que tinha ficado na outra sala, a torturar mais uns quantos que andavam então nos primeiros anos.

Nunca conseguiu o nosso respeito, os nossos sorrisos, a nossa alegria, as nossas palavras além do obrigatório, passado pouco tempo foi embora, de nós não levou nada, além da alegria de termos de deixar de a ver todos os dias…

 

Escrito por Marisa às 09:14
Piacere | Vero? | Grazie
15 comentários:
De Ca a 30 de Março de 2007 às 16:37
É um privilégio ler-te em primeira mão. :)

Amiga ando tão aterefada que nem te tenho dado a atenção que mereces... Desculpa querida...

Porém, não resisti a ler-te uma segunda vez... :)

Bem, a fotografia parece-me adequadíssima, até por causa do pormenor do «envelhecida»!!

O texto é de uma fluência e transparência arrebatadoras... Como nos tens habituado...

A linguagem apesar de um pouco agressiva espelha, a meu ver, o que pretendes transmitir, não teria o mesmo impacto, se assim não fosse! A linguagem revela os pensamentos e sentimentos inerentes à situação! Está no conjunto simplesmente genial...

Como te é característico e muito bem, os teus textos possuem Príncipio, Meio e Fim, e numa sequência espectante e deliciosa... Fantástico.

E além disso possuem conteúdo, substância!!

A «lição de vida» que transmites neste em particular, é importantíssima nos tempos que correm...

As pessoas acomodam-se e lamentam-se... Ou seja, optam pela via mais fácil...

Mas teem outra opção - lutar!!

Cair, acontece a todos, os vencedores, são o que se levantam mais fortes.

Parabéns!!

Adoro-te amiga.
De Marisa a 30 de Março de 2007 às 17:08
Minha linda, sempre tão bom ler-te aqui.
E delicioso conhecer-te, conhecer a tua inocencia, a tua alma pura e verdadeira e por isso mesmo saber que textos como este são muito para ti.
Ainda há menina nos teus olhos, ainda nos sabem bem as brincadeiras de alguns anos atrás...
Obrigada querida, beijinhos.
De Ca a 2 de Abril de 2007 às 09:46
Exagerada!!!

:)

P.S. - Até me estou a babar...
De cheiodetesao a 17 de Março de 2007 às 17:37
Tive mais sorte, eu!

A minha professora também nos batia, mas era 5 estrelas.

:)

Ola Marisa...
De Marisa a 19 de Março de 2007 às 10:10
Olá, que bom ler-te aqui...
Quanto à professora, portanto batia mas era uma porreira... ok, óptimo!

Olá sempre...
De Sonhador de Alpendre a 17 de Março de 2007 às 17:03
Chamava~se Rosa e tinha óculos de fundo de garrafa. Lembro-me que de vez em quando me afiambrava umas valentes reguadas, com uma particularidade, é que nos dava nos pulsos, penso que doía mais. E ela também o sabia. Era o tempo dos rios, dos caminhos de ferro, do montes e serras. Era o tempo da escola dividida por sexos. Era o tempo das Orelhas de Burro em papel, o tempo de ficrmos virados para a parede- Eramos moldados na humilhação.
A Rosa era de Loures, lembro-me eu, tal como nós estava de passagem pela terra mais a sul, os meus pais foram-se despedir dela ao fim dos quatro anos de escola, deviam gostar dela. Eu não sei. Tinha que gostar, era a minha professora primária.
Se elas soubessem o quanto nos marcaram, teriam sido, decerto, diferentes e nós também.

sonhos infantis
De Marisa a 19 de Março de 2007 às 10:09
Bem-vindo ao meu piacere...
Todos nós temos recordação dos nossos professores, da nossa infancia, dos nosso amiguinhos... será que isso nos moldou?
Será que na escola primária, começámos a ser gente?
Obrigada pelo testemunho, um beijo...
De XNP a 15 de Março de 2007 às 17:50
Grazie cara... fico contente quando alguem me diz que se recorda de mim ( ou do que escrevi).Quem sabe um dia de novo? Um daqueles beijos iguais aos teus :-)) Até sempre.
De Marisa a 19 de Março de 2007 às 10:06
Que felicidade encontrar-te por aqui...
Obrigada pela visita, pela lembrança e pelos beijos, que sempre foram teus...
Até sempre...
De apenasMadalena a 14 de Março de 2007 às 14:52
Olha eu foi mais ao contrário. A minha 1ª professora foi a que me marcou pela positiva, pq as que vieram a seguir, no geral, eram cá umas cabras... Ehehehe
Bjokas
Madalena
De Marisa a 14 de Março de 2007 às 15:06
Indiscutivelmente todas nos marcam, umas pela positiva outras nem tanto. Se calhar a primeira professora é que determina muito do nosso gosto pela escola, mas isso são outras conversas.
O que importa aqui é que estas recordações fazem parte da nossa vida e de vez em quando sabe bem trazê-las aos presente.

Um beijinho Madalena.
De Kitty a 12 de Março de 2007 às 21:57
A minha professora da primária chamava -se Luísa ( acho eu ,que a memória não costuma falhar-me...) era boa gente, mas de facto n tinha passado na fila da simpatia... ensinava bem, e mandava trabalhos para férias para xuxu... graças a ela ainda sei conjugar os verbos no gerúndio e no condicional e no raio que a parta ( amen...amen...) que tanto me ficavam a doer as mãos de escrever aquela patacoada toda vezes sem conta... mas 'prontus' graças à diaba em figura de gente ( nem era má pessoa, só que queria que a primária ficasse 'enraizada' nos nossos neurónios!) ainda sei fazer contas de dividir à mão com casas decimais e tudo (korror) e sei que a seguir ao km vem o hectómetro, o decâmetro e o metro e o decímetro, centímetro e o milímetro...ufas... e ainda me lembro o que é uma arroba, um quarteirão e etc e tal...e mais o diabo a sete...
E recordo-me da primeira vez que escrevemos com esferográfica ( que andámos até à terceira classe só a lápis...) mas nunca esqueci também o seu sorriso, quando depois numa bela tarde lá apareci para lhe dar um beijinho, já eu andava no 5º ano, e se lá voltei mais vezes é porque a professora Luísa era rígida mas eficiente, e elogiava-nos e estimulava-nos a cada dificuldade superada...

Acho que ainda deve estar de boa saúde, talvez a escandalizar-se dos netos já usarem calculadoras no 1º Ciclo e não ouvir dizer: ' nove vezes nove oitenta e um, três macacos e tu és um ... fora eu que não sou nenhum!' lol

Lembras-te Marisa? :)

Beijinho e até sempre...
De Marisa a 14 de Março de 2007 às 15:04
Olá kitty!
O teu comentário podia perfeitamente ser um post. Afinal todos nós temos recordações da nossa infancia, sejam professores, amiguinhos, coisas boas outras nem tanto.
Ainda me lembro de todas essas coisas tambem, alias, acho que faço questão de não esquecer, passei demasiadas tardas a decorá-lo e faz parte da minha identidade.
Não posso e não quero esquecer-me de nada disto, o que sou hoje tambem é fruto de tudo isto.

Adorei o comentário, muito obrigada!
Beijinho.
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 12 de Março de 2007 às 11:01
Ora viva!

Não me recordo do nome da minha professora primária na 1ª classe, nem tão pouco me lembro se era simpática ou não. Contudo sei que eu era mau como as cobras e por vezes ficava de castigo a fazer os deveres para lá do horário escolar. A melhor recordação que tenho da 1ª classe era quando a minha professora despia a bata branca da escola, ficando de soutiã, para depois se vestir e ir-se embora, mesmo à minha frente.

Um abraço...
shakermaker
De Marisa a 12 de Março de 2007 às 15:33
Caro shakermaker, sempre peculiares estas suas visitas.
Mas, e se me permite, fiquei curiosa, teria a sua professora bom gosto para soutiens?
Um sortudo e um priveligiado pelo que vejo, imagino que esperasse todo o dia para assistir a esse solene momento...ahahahahah.
Um abraço apertado...

Vero?

veropiacere@sapo.pt

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