Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Depois de tanto tempo…

Ontem voltei a vê-lo… e voltei a tremer… e voltou a doer…

Mas será possível que depois de tanto tempo, depois te tanta verdade, este impulso continue a ter poder sobre mim?

Durante alguns anos, deu-me completamente a volta a cabeça, tornei-me quase irracional, perdi amigos e amigas, que teimavam em mostrar-me o que eu nunca quis ver, nem mesmo hoje…

Num belo dia vou a casa de uma amiga e vejo-o lá… apanhou-me por completo, foi quase como se tivesse um projector por cima da cabeça a iluminá-lo:

-Olá, se vens ter com a minha irmã, ela está no quarto. -Nem levantou a cabeça para me dizer isto, nem precisou…

Julgo que rastejei até ao quarto, não me lembro de mais nada nessa tarde, aliás não me lembro de mais nada além dele.

Bonito?

Não!

Nem alto nem baixo, nem magro nem gordo, nem simpático nem antipático, nada e aquele nervoso que não me deixava.

Era um gajo tão banal e sem piada que até chateava.

Passado algum tempo ia lá a casa só para o ver, meti conversa com ele e percebi que se achava o máximo, tinha a namorada oficial e mais não sei quantas para os intervalos… eu sonhei ser mais uma dessas, hoje parece-me completamente surreal.

Quem, agora sei, gostava de mim, dizia que me estava a meter com a pessoa errada, nem quis ouvir, o estado em que ele me deixava era suficiente para nem perceber o que outros me diziam, bastava-me um sorriso dele e a tarde tinha valido a pena.

Um dia convidou-me a ir ao quarto dele, gelei naquele momento e nunca percebi se deveria ter declinado ou não, mas fui.

-Entra e fecha a porta.

-Está bem.

-Queres ouvir alguma coisa?

-O quarto é teu…

-Sabes que já aqui estiveram muitas miúdas, vocês dizem sempre o mesmo. -Se fosse hoje ter-lhe-ia respondido à altura e saído do quarto sem que ele sequer respirasse, na altura limitei-me a sentar e contemplá-lo… estúpida.

-E então, convidaste-me para…?

-Abre essa caixa…

A caixa teria talvez uns 10 pacotinhos de preservativos.

…escolhe um.

Fiquei imóvel, nem sei se o queria ou não, definitivamente eu tinha um propósito definido, para ele.

Passados alguns minutos, os necessários para conseguir refazer-me, levantei-me para tomar o que considero ser a atitude mais corajosa que tive até hoje, fui até ele, atirei-lhe os preservativos à cara e disse-lhe que era um desperdício alguém interessante como ele mandar uma foda com uma miúda que nem autonomia tem, para perceber o que é melhor para ela.

Fixei o meu olhar no seu olhar de gozo e saí.

                 

Doeu muito, ainda hoje dói…

Depois disto nunca mais falámos, deixei de ir aquela casa, que tem memórias demasiado pesadas, deixei de falar com a irmã dele, que se fartou de me avisar…

Durante muito tempo, demasiado, evitei-o, um dia passei por ele, de carro e não pude controlar as lágrimas, mas fez-me bem.

Ontem quando o voltei a ver, voltou também à minha memória toda aquela inocência, ou talvez paixão irracional, com a qual confesso, ainda hoje não sei lidar, mas ontem, fiz questão de o olhar nos olhos e sorrir…

 

Escrito por Marisa às 11:58
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