Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

À lareira

Começo a ficar com saudades da lareira… e do que faço em frente à lareira.

Saudades de chegar a casa, fazer fogueira e ir tomar um grande banho, no meio da espuma, e do vapor, e dos sais… e de mim…

Um corpo frio a entrar naquele paraíso, o cheiro do quentinho, tocar numa pele fria com uma esponja quente, sentir a arrepiar a alma, enterrar-me na água… que saudades.

Sair do banho renovada, limpa, quente… também por fora… limpar-me, perfumar-me, pentear-me, vestir o meu kimono e levitar até junto da lareira.

Tenho sempre mais tempo pra mim, ficar ali, às vezes horas, a olhar para as chamas que nunca são iguais e me dizem sempre tanto, ler, ouvir música, comer, ver um bom filme… fazer amor… hummmm

 

                     

 

Que saudades de fazer amor em frente à minha lareira.

Sentir o corpo a transpirar, os corpos felizes, os gemidos, a beleza da penumbra, e um desejo incontrolável que nos faz despir e amar, ali mesmo, corpos húmidos, cansados e ter a lareira como testemunha e talvez um cálice de vinho, o crepitar da lenha, que som maravilhoso...

Os nossos sons e aquele som.

E estar nua, com o calor a proteger ou talvez provocar o meu corpo, e brincar comigo ali em frente ao quentinho, e ouvir a chuva miudinha a cair lá fora e o espreguiçar e o ronronar, que saudades de ronronar em frente à minha lareira… ahahahahahahaha

Adormecer ali, tão preenchida, com uma companhia tão fiel, com um conforto só meu… e mais uma acha…

Aquela luz é magia, aquele brilho é único, a sombra que faz nas paredes, incomparavelmente belo, a alegria que sinto, por ter o prazer de me contemplar por entre aquelas sombras, o meu corpo naquela penumbra, sempre uma descoberta…

De luzes apagadas, tudo tem outra dimensão, o silêncio e o escuro, fazem-nos perceber quem somos de verdade, e aquela música de fundo basta-me, para passar um serão muito feliz, em que me encontro sempre…

Escrito por Marisa às 17:38
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Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006

Surpreender...

Entrei no carro e as minhas expectativas não saíram goradas… surpreender…

-Vamos? – Disse-lhe com um ar absolutamente normal, à espera de um beijo seu.

Olhou para mim e deteve-se largamente… na roupa.

-Mas que roupa é essa?

-Disseste para eu trazer uma roupa confortável, já que íamos só jantar a um sitio qualquer e depois voltávamos pra casa, porque andas muito cansado… Eu vesti algo de realmente confortável…

Cheguei-me perto dele, deixou-o sentir o meu perfume, beijei-o ao de leve nos lábios, segurei na sua mão direita, e fi-la deslizar por entre a fina gabardina creme que vestia. Chegou perto da minha virilha e deteve-se, quase assustado…

-Vês, vim confortável!

-Tu és louca, mas tu és completamente doida, quer dizer que a única coisa que trazes…

-Sim, é esta gabardina e os meus sapatos rosa, não reparaste nos sapatos, só na roupa… – disse com ar de ofendida.

-Tens a certeza, que vamos... vais assim?

-Vamos, estou cheia de fome e alem disso precisas ir descansar…

Durante o jantar, em que ficámos numa mesa para duas pessoas, de frente um para o outro, num restaurante simpático e acolhedor, os olhos dele estavam irrequietos. Eu olhava-o, sabia exactamente o que pairava na sua mente e sorria com um ar quase pecaminoso.

Até que a meio do jantar o meu sapato foi de encontro à sua cadeira, depois às pernas e depois começou a subir, ele ainda de cabeça baixa, olhou para mim e tentou desesperadamente fazer um ar de desaprovo, o que só me incitou a continuar… ele tentava ajeitar-se na cadeira e eu continuava a roçar o meu sapato no cimo das suas pernas.

 

                         

 

Pedimos uma sobremesa, que foi comida rapidamente, depois a conta, e saímos daquele sítio, alheio ao que os nossos corpos e almas ansiavam.

Assim que ficámos longe da porta, colocou a mão por dentro da minha gabardina, apertou uma nádega e disse-me ao ouvido…

-Passaste a noite a provocar-me, nem sabes o que te espera.

Respondi-lhe:

-Eu espero que a tua mão, não seja a tua única parte do corpo a tocar no meu rabinho…

Entrámos no carro, colocou a mão onde há pouco se tinha detido, e provocou-me um forte arrepio, tal a veemência com que o fez, foi como se só agora tivesse de facto percebido o erotismo da situação, e até chegarmos a casa não mais a retirou de lá.

Chegámos e eu estava completamente excitada, não saímos do carro antes de apagar um pouco desse fogo que nos consumia…

Abriu a minha gabardina avidamente, beijou-me os seios excitados, apertou-me as nádegas e sem que  eu quase tivesse tempo de lhe desabotoar as calças, penetrou-me, como se se vingasse do tormento que o fiz passar durante o jantar. Sussurrei-lhe ao ouvido:

-Não gostaste da surpresa?

-Adorei… e sei como agradecer-te…

Escrito por Marisa às 09:46
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Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006

Melancolia

Um dia tão bonito, um sol tão radiante, e uma profunda melancolia que não me deixa…

O melhor que posso retirar de um dia melancólico, triste e cinzento, por vezes nem tanto pelo tempo, é perceber que não quero repeti-lo tão depressa.

Passar o dia é um tormento, sorrir um pesadelo, trabalhar… um engano.

Nestes dias deito-me invariavelmente cedo, depois de um banho rápido, em que até o toque da água no corpo dói, em que qualquer palavra por mais inocente que seja, magoa, em que a lua nunca tem brilho, e eu só quero que me ilumine, que volte a colocar o brilho nos meus olhos, que me ajude a sorrir, que me embale até que eu adormeça.

Enfio-me dentro de uns lençóis tremendamente frios, ou será alma… aperto-me contra mim, fecho os olhos e quero esquecer-me que existo.

Ficar ali numa cama imensa, ficar comigo, é muito, olhos inundados e ao primeiro suspiro uma lágrima e depois outra que trazem um peso excessivo, de um corpo vazio e sem sentido, adormeço inundada de mim…

Acordo no dia seguinte, bem de madrugada, com uma vontade imensa de viver, desfrutar o que de melhor tenho, respirar, sorrir.

Quero recuperar tudo o que não fui ontem, quero estar bem comigo e volto para o banho, um banho bem calmo onde redescubro um corpo que não vi nem senti ontem, água tépida e pensamentos felizes.

 

               

                     

 

Demoro a limpar-me, como se retirasse a todo o custo o que resta daquele que foi um dia de tormento, não porque correu mal, ou foi stressante, mas porque eu não fui como me gosto, só uma sombra...

Escolho meticulosamente o que vou vestir e sei que tem que ser leve, para uma alma nova,  perfumado para um corpo limpo… sei exactamente para onde vou…

Penteio os cabelos vagarosamente e deixo-os soltos, que é como me quero sentir hoje, calço as minhas sandálias, pego na minha mala e saio apressadamente.

O percurso destes dias é sempre o mesmo, o fascínio igual, o poder em mim infindável.

Começo a avistar o mar, e o brilho a regressar ao meu olhar, a brisa ajuda-me a recompor, o barulho das ondas faz-me voltar a acreditar em mim, a sentir-me viva.

Um passeio pela beira-mar, molho o rosto como se tudo começasse a partir daquele instante, um grande e profundo suspiro e volto para o carro, volto pra
vida, há uma vida à minha espera...

Entro no escritório, um café rápido, e aqui estou eu pronta para viver… plenamente.

Escrito por Marisa às 10:05
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Segunda-feira, 4 de Setembro de 2006

Gelado de morango

-Querida, desculpa hoje não vou poder estar contigo, vou sair daqui tarde…

-Não faz mal, eu vou comer qualquer coisa… e vou deitar-me. - Desliguei o telefone com um beijinho, e no mesmo instante, escrevi um SMS ‘Planos para esta noite? ‘, passados breves minutos recebi, ‘Espero que tenhas gelado de morango… até já’.

Quando chegou eu já estava no quarto, luzes apagadas, música ambiente, apenas um candeeiro da mesa-de-cabeceira aceso, para dar ambiente.

-Olá brasa…

-Bem, não estava nos meus planos vir dormir contigo, tens uma camisa de noite para mim?

-Eu estou de string e não tenho frio… queres mesmo uma camisa?

-Ahahahahahahahahahah, ok ok.

-Aliás, experimenta tirar a roupinha para eu ver…

-Hummmm, ajudas-me?

                               

         

-Claro!

E ali estávamos as duas, a tirar as suas roupas, como se de um ritual se tratasse, com algumas carícias menos inocentes pelo meio, olhares provocantes, ambas sabíamos o que se seguiria.

-Onde está o gelado?

-Ali, em cima da cómoda.

Foi buscar, tirou um bocado com o dedo e passou-o no meu mamilo que se arrepiou instantaneamente…

-Olha está a derreter… -disse-o com um ar tão inocente que nos fez gargalhar.

-Então vais ter que o lamber…

E assim começou o que seria uma noite profundamente erótica… em que entrou toda a nossa cumplicidade e profundo conhecimento acerca de nós próprias, ora me lambia, ora a tocava, ora brincávamos, ora gemíamos... e naquele jogo fascinante em que nos entregámos por completo ao prazer, tudo o que era exterior ao momento ficou esquecido.

A certa altura haviam pedaços de gelado por todo o nosso corpo e lambíamo-nos uma à outra com avidez, desejo, experimentando novas formas de prazer, deixando de lado quaisquer complexos, certas de que ambas nos queríamos descobrir e retirar todo o proveito disso.

Deitámo-nos uma em cima da outra e as nossas peles colavam com o doce do gelado, o que nos fez recomeçar tudo, mas desta vez de uma forma mais solta, afinal as poucas barreiras que haviam, já tinham sido quebradas… decidimos levar o jogo ao fim e ela deu o mote, quando olhou para mim de forma séria, sorriu e levou um dedo ao meu centro de prazer… não mais conseguimos parar… naquele vaivém, naquela loucura, em que ambas parecíamos possuídas, só faltava perceber quem ia conseguir o primeiro orgasmo e estávamos certas de que faltava muito pouco…

A certa altura, quando me virava aleatoriamente, percebi que não estávamos sós, e o que até então era um corpo em brasa… gelou por completo…

-Mas… olá… não disseste, que não podias cá vir hoje?

-Sim…- Disse-me visivelmente ruborizado e nervoso- Mas afinal consegui despachar-me e vinha fazer-te uma surpresa...

Não consegui proferir uma única palavra, ela, simplesmente ficou imóvel, como se paralisasse naquele instante.

-Já estás aí… há muito tempo? - Engoli em seco.

-Há tempo suficiente, para perceber que vamos ter uma noite fantástica…

 

Escrito por Marisa às 09:49
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