Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006

Chuva

Chove
lá fora
me fode
agora
com amor
sem pudor
barulho que cai
a gota me atrai
molhados
chovendo
pelo prazer
apaixonados
continue a fazer

e chove
trovão
e fode
paixão
e chove
na rua
me fode
estou nua

e chove
tira a meia
e fode
me despenteia
e chove molhado
seu pé está gelado
chega de prosa
você me aquece
vai, enlouquece
vem e goza
                                                          Liz Christine
 
Escrito por Marisa às 09:51
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Segunda-feira, 7 de Agosto de 2006

Porque sim!

Hoje quero ser fútil!

Ora todos temos um bocadinho disso, alguns de nós vivem só assim, muitos de nós não sabem ser de outra forma…

Eu hoje não quero ter grandes preocupações, nem chatices, nem pensar, nem falar consciente de que o faço correctamente, maduramente.

Vou ser egoísta, vou mimar-me e muito, vou às compras daquilo que gosto, nem que seja para ficar na gaveta, nem que seja tudo piroso, vou arranjar o cabelo nem que depois vá pra casa e fique por lá sozinha… mas a curtir-me.

E faço a depilação pra me sentir limpa e fresca, arranjo as unhas que me agarram ao que mais amo e adoro ver lindas, prontas a atacar…

Peço à rapariga que me arranjou as unhas, que me tire o dinheiro da carteira, pra não amachucar o verniz… ahahahahahahaha , e estou pronta!

Vou ficar numa esplanada a ler uma revista cor-de-rosa, daquelas que têm tanto de deprimente como sonhador, mas que no fim não nos ensinaram nada.

Peço, talvez um café e um bolo de pastelaria, enorme, para depois andar o resto da semana deprimida com a hipótese de ter engordado 300 gramas…

Olho em toda a minha volta, esquecendo-me de mim e vendo outros rostos, outras vidas, rotinas, crianças… sonho.

Decido ir dar uma volta à praia, afinal estou tão gira!

Levo a minha revista, os meus óculos de sol tamanho XXL, que mal deixam adivinhar o que está por trás deles, as minhas sandálias com salto de 10 cm, que mal me deixam caminhar, mas são tão fashion , a mala enorme e de pele, que carrego no antebraço, uma verdadeira lady !

Sento-me no paredão e decido apreciar verdadeiros monumentos humanos, autênticas odes à vista, a jogar volei a correr, a saltar e um olha para mim… queria ter-lhe acenado… talvez chamado para junto de mim, mas hoje sou absolutamente desinteressante, não quero conversas complicadas, articuladas, profundas, só viver…

Começa a anoitecer, volto para o carro, vou para casa.

Deixo tudo num sofá, atiro-me para cima de outro. Revejo o dia, revejo o que fiz, revejo o que não pensei, e a gargalhada brotou do fundo da minha alma…

 

                

Sorri que nem louca, afinal é bom sentir-me livre, deixar-me guiar pelas ondas da vida, quebrar regras, ser frívola, por um dia ser só que o sabe realmente bem…

 

Escrito por Marisa às 09:01
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2006

Seios

O branco
todo alvo
realça na pele bronze

No alvo, círculo rosado
ao centro um olho
pedinte, esbugalhado

Todo ele na palma da mão
na tua mão encaixado
faminto se enrijece
sedento pede tua língua
afoito geme ao contacto
feito coito alucinado



Os dois são felicidade
nas tuas mãos e cuidados
bichos presos, enjaulados
não querendo liberdade.

                              Isabel Machado

Escrito por Marisa às 09:51
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006

Alexandre- o grande

Eu estava preparada para tudo, julgo eu… menos para aquilo…
Apareceu à minha frente, feito num trapo completamente de rastos, a chorar como só uma criança.
E correndo o risco de ser pérfida, achei aquela, uma das mais belas imagens de que me recordo, tal a sua carga emocional…
O Alexandre sempre tinha sido aquele homem que eu achava intransponível, seguro, forte, robusto, emocionalmente muito estável, frio por vezes nas sensações mais impensáveis, naquele dia era uma criança completamente perdida.
E foi talvez por ver aquele homem de metro e noventa e cinco, musculado e normalmente cara de poucos amigos, profundamente abatido que me suscitou tamanha admiração.
 
                      
 
-Desculpa, eu sei que não temos muito confiança entre nós, mas é visível que não estás bem… posso ajudar?
Ao ver que eu tinha notado a sua fragilidade, ficou ainda mais inseguro, mas tentou a todo o custo recompor a sua imagem de inflexível, que estaria supostamente, seriamente ameaçada.
-Eu estou bem, obrigada, deixa lá, coisas da vida.
-Pois é natural que sejam, mas sabes que o facto de assumires que as sentes, que te tocam, que te magoam, não te tornam menos homem, ou menos forte, é se calhar outra grandeza que desconhecias…
Ficou imóvel a olhar pra mim, a verdade é que noutras circunstâncias eu era incapaz de lho dizer, o seu ar superior só suscitava nas mulheres o ar desprezível que se faz, a quem se julga superior a todo o custo.
-Se calhar… podes vir tomar um café comigo… rápido?
Agora foi a minha vez, ia desmaiando, o Alexandre, o grande, o inacessível, a perguntar-me se podia ir tomar café com ele, ai como eu gostava que tivesse sido noutra ocasião pra lhe dar um redondo e brutal ‘não’, mas fiz um ar sereno pedi-lhe dois minutos e acedi a seu pedido.
Saí da passadeira onde corria, limpei o rosto transpirado, bebi dois goles de água, consertei os calções, o top, respirei fundo e fui com ele tomar um café, que na realidade foi só mais uma água.
-Então, queres contar-me?
-Na realidade não, mas só o facto de teres querido vir comigo tomar café, já me faz muito bem.
-A verdade é tu és uma pessoa distante, é difícil manter um diálogo contigo, porque te retrais sempre, porque te fechas no que és.
-…a minha mulher saiu de casa e o homem frio e austero que dizes, não conseguiu impedi-la, demovê-la dessa atitude, não consegui deixar o orgulho de lado, dizer-lhe que a amo e quero ficar com ela,  fiquei imóvel a vê-la partir… nunca pensei que doesse tanto e à medida que o tempo vai passando, vai-se tornando demasiado dolorosa esta situação…
-Mas só depende de ti, mostra-lhe e mostra-te um outro Alexandre, que anda aí dentro desses músculos, algures, diz-lhe o que me estás a dizer, não tens que deixar de ser forte, mas podes ser também sensível a quem te rodeia. O teu corpo já dominas, agora aprende a dominar a tua alma, a controlar o que sentes e a deixar transparecer isso…
Acabei de lhe dizer isto e percebi que provavelmente tinha exagerado, que tinha sido incisiva, que lhe tinha dito o que julgava, sem nunca pensar a quem o estava a dizer, esperava dele uma resposta azeda ou talvez um simples 'não te me metas no que não sabes', mas não, ouviu serenamente ...
Olhou para mim, respirou fundo com ar de missão, dirigiu-se ao balcão pagou as águas e disse-me… ‘preciso de me despachar...hoje finalmente, vou ser grande’…
Escrito por Marisa às 09:04
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