Quarta-feira, 14 de Junho de 2006

Noites felizes

Em noites como a de hoje em que me sinto tão levemente feliz

 e em que todo o universo me parece sorrir, queria poder dar-te o sol,

só o sol é comparável ao brilho que colocas nos meus olhos…

Deitada nesse peito onde me cuidas como se dum bebé se tratasse,

onde me mimas mais do que eu poderia desejar,

onde me elevas ao céu e me trazes nos teus braços tão seguros, tão meigos…

tão meus.

Há dias em que o teu sorriso me basta pra ser a mulher mais feliz do mundo,

dias em que só tu me acalmas, a tua leveza que não sei de onde vem,

o teu mimo constante…

Tu sabes que não há grandes romantismos entre nós,

aliás há o nosso amor, há a nossa vida que fazemos questão de partilhar,

há ‘nós’, a nossa cumplicidade, os nossos sorrisos,

os nossos pecados… que pecados...

Não és o homem da minha vida e eu não sou a mulher da tua vida,

porque somos apenas de nós próprios e não prometemos mais do que podemos dar,

mas tu dás-me tanto,

não há gesto que determine o tamanho da tua gentileza ao segurar-me aqui contra o peito e contra o mundo,

só porque me gostas e me queres, intensamente,

genuinamente…

meigamente…

Em noites como a de hoje nunca fazemos amor,

contemplamo-nos, sorrimos, ficamos assim… só nós dois...

Trincamos o prazer, sorvemos a vida, brindamos com a alma,

e nesta cama onde me ouves chamar por ti, gemer de ti,

ficamos absorvidos por tudo que nos rodeia

e que se calhar é pouco, mas é nosso.

Durará só que tempo que tiver de ser, mas sempre puro e verdadeiro,

sem cobranças, ou desconfianças,

enquanto formos,

seremos os dois…

só…

 

Escrito por Marisa às 09:40
Piacere | Vero? | Pensamentos (7) | Grazie
Segunda-feira, 12 de Junho de 2006

Zangas de sedução

-Não te rias assim pra mim que eu dou cabo de ti!

-Ahahahahahahahahahah .

Ok, eu tinha exagerado, mas podemos sempre tentar contornar a coisa, se ele estava de facto chateado comigo porque não descarregar essas energias negativas em algo de positivo

-És completamente doida, tu!

-Hummmm …

Comecei por tirar os meus sapatos, enquanto fazia um sorriso bem subtil, bem provocante, depois os jeans e ele continuava a disparar acusações e palavrões e nem queria olhar pra mim.

-Eu acho que te posso ajudar a ultrapassar isso…

Finalmente percebeu que eu não estava a brincar e não estava sequer disposta a alimentar aquela discussão, continuava em cima da mesinha da sala a bambolear-me, a tirar o cay-cay …

-Mas como é foste capaz de dizer aquilo? Os meus pais nunca vão digerir aquilo!

-Ahahahahahaha , quero lá saber, digo o que penso e mais nada. Vem cá…

                               

-Ahahahahhah, maluca e pára com isso que estás a deixar-me doido e eles estão aí a chegar entretanto .

-Pois é, mas pode ser que assim percebam, que quando eu lhes disse que ‘pagamos’ as nossas zangas com sexo, estava mesmo a ser sincera, desta vez não era uma piadita…

Porque é que tem de haver hora e local para o prazer?

Não podemos só deixar-nos levar, porque vai ser maravilhoso?

Por aquela altura, já estava eu sentada na mesa de vidro a brincar… comigo…

-Não vais desistir pois não?

-Nop, mas podes ajudar-me… e até aposto que ias adorar…

Virei-me, pus-me de quatro e comecei a abanar como se fosse um cãozinho.

-Bem podes apostar, aqui vou eu… quando eles chegarem, esperam um bocadinho que lhes faz muito bem!

-Assim como me vai saber ter-te… vá, vinga-te de mim… castiga-me, ahahahahaha

 

 

Escrito por Marisa às 09:26
Piacere | Vero? | Pensamentos (3) | Grazie
Quinta-feira, 8 de Junho de 2006

Fantasia

Tudo se passa em segredo
numa praia à beira mar,
sempre em noites de céu negro,
sem estrelas nem luar.
O cenário é um velho hotel,
sem janelas para a rua,
sinto-me à flor da pele,
numa guerra sem quartel,
quando te pões toda nua.
 
Ah! Se chego ao pé de ti,
deixo logo de pensar.
Ando em louco frenesim,
só te quero devorar...
Ah! Se chego ao pé de ti.
 
Do sofá à alcatifa,
o teu corpo vai e vem.
Fazes-me sentir califa
no nirvana de um harém.
Enrolada nos lençóis
endoideces de prazer,
arrancas-te os caracóis,
dizes: "Já não posso mais",
e não paras de gemer.
 
 
Com um gesto sedutor
mergulhas vezes sem fim,
gritas de desejo e dor,
nada pode ser melhor,
queres ficar sempre assim.
Pões-me a cabeça a ferver,
mais em brasa que um tição,
chegas-me a fazer perder,
(isto assim não pode ser)
toda a réstia de razão.
                         Pedro Abrunhosa
Escrito por Marisa às 09:11
Piacere | Vero? | Pensamentos (7) | Grazie
Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

Palavras ao vento

São fascinantes as palavras!

O poder da escrita é imenso, uma simples junção de letras tem a capacidade de despertar em nós tantos sentimentos, por vezes bons, outras nem tanto, mas sempre um sentir…

O dom da escrita, é reservado apenas a alguns, eu atrever-me ia a dizer, que é reservado a muito poucos, no entanto quem o consegue, deleita-nos por completo, a escrita fascina, deleita, viaja, seduz...

As palavras permitem-nos viajar pelo mundo sem sair do sofá, permitem-nos sentir um prazer que nunca foi nosso, chorar com a desgraça de outros, sonhar com o impensável, apaixonarmo-nos por quem nem sequer existe, permitem-nos ruborizar e fazer um sorriso tremendo, porque nos faz bem o que está escrito.

As mais belas palavras, aquelas que vêm da alma, as mais profundas, são de uma grandeza imensa, são de tal forma delicadas que nos fazem ler e reler e sorrir, tamanho é o seu significado.

Saber utilizar as palavras, dar-lhes sabor, contexto, forma, corpo, é talvez dos objectivos mais difíceis de alcançar, porque implica uma sensibilidade tremenda, uma dádiva.

E depois há palavras de majestosamente empregues que nos transmitem uma tal luxúria, sensualidade, que quase tocamos, sentimos, queremos…

Há textos vastíssimos, ricamente trabalhos, sublimemente escritos e que no entanto não dizem nada, não tem simbolismo, não falam, não exprimem, são vazios, frios...

Porque a simbiose entre as palavras e o autor não existiu, porque a autenticidade ficou de lado e o que se quis expor foi só um relato vago, provavelmente as palavras certas estarão lá, mas o tacto para as colocar no devido lugar, o fascínio de poder escrever o que se sente, o que se deseja, o que se quer, o que se viveu, o que há de mais belo, o que revela prazer, o que realmente nos completa, falhou.

                     

E há meras frases, tão simples, tão puras, tão autênticas, humildes, que nos exprimem o que tanto queríamos dizer e não sabíamos como, só porque lá está parte de nós, só porque já o sentimos, ou porque afinal temos o dom de expor o que tantos pensam.

E a coragem de impor os nossos sentires, de ser diferente, de sentir impulsivamente e de ter prazer em sentir o que se escreve e de escrever com um sorriso que nos transporta para onde as palavras no guiam.

Há poemas tão belos, que para nós são meras letras juntas, e depois há textos, tantas vezes sem qualidade literária, que nos fazem tão felizes…

As palavras são intemporais… tal como os sentimentos… ou a alma...

 

Escrito por Marisa às 09:18
Piacere | Vero? | Pensamentos (13) | Grazie
Segunda-feira, 5 de Junho de 2006

Inesquecível

As palavras ecoavam no meu pensamento ‘Será inesquecível…’

À hora combinada estava lá!

Não gosto de me atrasar, detesto atrasos e pouco antes da hora pedida eu subia as escadas que davam acesso à suite…

Imaginei que seria a primeira a chegar, era sempre…

Mas não, no chão em frente à porta, uma túlipa branca, estrategicamente colocada, como se ali tivesse nascido, como se sempre lá tivesse estado… a porta entreaberta, deveria eu entrar?

 

Confesso que espreitei, a ansiedade apoderava-se de mim, mas não podia bater à porta, não queria, eu precisava de uma entrada convicta, triunfal, que demonstrasse que eu ia decidida!

Ouço passos a aproximarem-se… por trás de mim, mesmo junto ao meu ouvido pude ouvir:

-Não vai entrar?

Um arrepio que me percorreu todo o corpo, só consegui resistir porque não quis olhar para trás, como se o que acontecia fosse algo banal para mim… não era, estava completamente petrificada.

 

-Com certeza!- disse com a voz mais segura e calma que consegui demonstrar. Abri a porta e entrei, entrou atrás de mim e ouvi a porta a fechar… e trancar…

-Olá boa tarde, muito prazer, então é você a Daniela?

-Parece que sim! E você o Ricardo?

-Sou, mas vamos entrando.

Cumprimentei-o cordialmente e tentei disfarçar o nervosismo, ainda bem que não tinha que escrever ou a minha caligrafia trair-me-ia.

-Bom começo por lhe agradecer o facto de se dispor a visitar-me, para tratarmos dessas pendências profissionais, tão maçadoras…

-Sim mas deixemo-nos de banalidades, ambos sabemos porque aqui estamos!

Avancei, tudo aquilo era demasiado sedutor para estarmos com aquele tipo de conversas, se bem que o jogo me excitava profundamente.

 

-Muito bem, champanhe?

-Aceito.

-Sabes que até te ver à minha frente, nunca acreditei que realmente viesses, quer dizer, porque virias?

-Primeiro não me trata por tu, porque eu também não o fiz consigo e na realidade somos desconhecidos, segundo, como vê, estou aqui e estou a ter uma reunião, logo vamos dar seguimento aos trabalhos, para que não se prolongue para fora de horas.

Disse isto de maneira tão convincente que até a mim deu vontade de rir.

Ahahahah como queira Daniela, vamos então pra sala de reuniões…

 

A visão que tive assim que entrei naquela sala foi em tudo superior a um sonho, era de um requinte tal, que novamente me deixou absolutamente fascinada.

-Mas que luxúria, tem a certeza de que julgava que eu não viria?

-Tinha as minhas reticências, pelo sim pelo não e do pouco que conhecia de si, resolvi preparar-lhe algo que me parece bem ao seu gosto, estou errado?

Ainda que eu tentasse contrariá-lo, o que de facto me passou pela cabeça, era impossível fazê-lo tal era o brilho no meu olhar, a antecipação do que se seguiria voltava a deixar-me com a boca seca…

-Meu Deus, mas estão aqui centenas de tulipas brancas…

 

                   

 

-As suas preferidas, certo?

Acenei afirmativamente, cheguei a ficar emocionada!

Segurei a flute que me deu delicadamente, pediu a minha mala, o casaco que apenas cobria os ombros, e enquanto foi arrumá-los fiquei ali a admirar todo aquele cenário absolutamente deslumbrante, onírico, fabuloso.

 

Não sei se deveria ter vindo embora… tal era o meu nervosismo.

Voltou e percebendo o quão fascinada e ao mesmo tempo desconfortável com tudo aquilo eu estava, disse-me sorrindo.

-Esteja à vontade a partir de agora este espaço é só nosso e eu quero senti-la aqui como a sentia nas suas palavras, toda a sua força e garra e bom humor, aliás ainda não a ouvi a sorrir.

Inevitavelmente tive de sorrir aliás o nervosismo não me permitia outra coisa.

Aquela sala, além de cuidadosamente decorada, cheirava maravilhosamente bem e no centro uma chaise long vermelha, coberta com um manto preto de veludo, ladeada por duas taças com uvas e cerejas, que tentação!

 

-Sabe que estou completamente estarrecida, quer dizer nem imaginei que algum dia teria direito a tudo isto…

-O que fiz foi colocar aqui um pouco de que me dizia agradar-lhe, o requinte, as frutas, as flores, quero mesmo que seja inesquecível.

-Disso esteja certo!

Levou-me até à chaise long , sentei-me, deu-me uma uva que repartimos entre lábios e devo dizer que a excitação foi tanta que me ia engasgando na uva, já nem consegui descortinar se sonhava ou era mesmo real…

 

Tirou a minha camisa que desabotoou muito calmamente, vagarosamente, como se apreciasse cada botão, desnudou os meus seios, olhou pra mim, sorriu:

-Este momento foi tantas vezes sonhado por mim, que só por si já valeu tudo.

Ainda me senti mais desconfortável, definitivamente não era o meu mundo.

Beijou-me delicadamente, deu-me champanhe a beber que entornou propositadamente, lambendo mesmo quando chegava ao umbigo… a minha respiração tornava-se tão intensa que só mordiscando o lábio inferior conseguia conter os gemidos.

 

Deitou-me, tirou a sua camisa que mostrou um peito, maduro, experiente, vivido, ainda assim cuidado e belo, lambi levemente os seus mamilos, a minha vontade era mordê-los mas com toda aquela envolvência provavelmente, seria incapaz de o fazer com a calma necessária.

Resolvi despir a minha saia que afinal já só incomodava, resolvi tirar-lhe as calças que imagino lhe causassem algum desconforto, ficámos assim algum tempo a saborear uvas e cerejas e champanhe e a sorrir e a beijar cada centímetro de pele.

 

-Desde o primeiro dia que falámos, anseio por este momento.

Ahahahahahahahaah , então não percamos mais tempo…

O que se seguiu foi dos momentos mais intensos que toda a minha vida terá, que toda a vida guardarei, o mimo, a dedicação e carinho que me dedicou, enquanto me despia, enquanto me dava de beber, de comer, enquanto fazíamos amor uma e outra e outra vez, foi de uma grandeza tremenda.

                       

                                  

Tão intenso como só dois orgasmos em simultâneo podem descrever.

Amou-me como não julgava ser possível, naquela chaise long que nos acolhia tão bem, onde nos despojámos de qualquer pudor, onde experimentámos tudo o que havíamos falado anteriormente, eu não queria que tivesse terminado nunca.

-Tu não és Daniela, pois não?

Ahahahahaha , tu és Ricardo?

Ahahahahahah …

O cansaço que ambos acusávamos fez-nos parar por momentos e constatar… de facto tinha sido perfeito, inesquecível…

-Preciso ir embora.

-Só depois do banho que vou preparar para nós… espera…

 

Escrito por Marisa às 09:09
Piacere | Vero? | Pensamentos (11) | Grazie
Quinta-feira, 1 de Junho de 2006

Mulher

Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.

Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.

Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.

Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.


Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.

E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.

Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.

Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.

Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulher porto esquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.

Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Eu ela eu lá nela
Que sejamos ela.

E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.

Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.

Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.

Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!

             Bruno Kampel

Escrito por Marisa às 09:28
Piacere | Vero? | Pensamentos (21) | Grazie

veropiacere@sapo.pt

Agosto 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Hummmm...

Sei lá...

Ciao

(...)

Ingenuidade

Viver...

Pretensão

Quando...

Kininha

Renascer…

Hoje não…

Recordar...

Agosto 2010

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Piaceres...