Segunda-feira, 25 de Setembro de 2006

Visões de Outono -I

Naquela sua pequena casa de campo, isolada de tudo e todos, do relvado frente à sala que abria sobre a mata de carvalhos com o riacho a correr próximo, podia sentir o cheiro molhado da chuva nocturna, naquela manhã de sol tímido a espreitar na bruma.

O Outono tinha despontado.

Era já visível o início do manto de folhas e pequenos ramos caídos. Mais um mês, e todo aquele quadro estaria perfeito. Para o casal de esquilos, que dali avistava, saltitando e roendo, tudo parecia já perfeito.

Da sala chegava-lhe ainda o cheiro acolhedor da lareira, que acabara por se apagar durante a noite. Era necessário reacendê-la, pensou.

Quando saíra do quarto para ir fazer café, ela dormia ainda, o seu corpo nu sobre os lençóis.

Era uma visão que retinha a cada momento...

Os cabelos ruivos, compridos, em desalinho sobre a almofada, cobriam-lhe parcialmente a cara. Olhos serrados por uma cortina de pestanas, sob as sobrancelhas cuidadas, nariz ligeiramente arrebitado, lábios carnudos esboçando ainda o sorriso do prazer com que adormecera. Pescoço esguio, alargando ligeiramente em baixo para os ombros torneados onde se abrigara de noite. Os seus seios perfeitos, movimentando-se ao ritmo da respiração lenta, não traíam a agitação por que tinham passado. Os mamilos cor de pêssego, que ao seu toque da véspera pareciam ganhar vida própria, repousavam agora diluídos na sua carne.

                     

Uma ponta pudica do lençol que permanecia entre as suas pernas e lhe cobria o umbigo que sabia bem talhado, deixava ver as ancas arredondadas e generosas que lhe parecia conhecer de olhos fechados, mas que não conseguia deixar de olhar. Eram a parte visível das doces nádegas, entre as quais se escondia um cálice de emoções.

As coxas fortes e ginasticadas, que o tinham abraçado em brutais amplexos, repousavam agora emoldurando o lençol. Esse lençol que lhe escondia da vista os vales húmidos que sugara e pelos quais fora sugado, o seu sexo onde tanto de si se tinha perdido durante a noite (ou, como ela gostava de dizer, o seu centro de prazer) naquela dança de corpos e sentidos transpirados, que de tanto tocar e explorar sabia desenhar de cor.

Sim, dormia ainda, e ele não quisera acordá-la ao levantar-se para ir fazer o café.

Tinha acabado de encher uma caneca que fumegava, aquecendo-lhe as mãos, perdido nestas recordações.

Fora então que ela aparecera, envergando apenas, sobre o corpo nu, uma camisola velha de algodão grosso que lhe pertencia a ele, esboroada no cós de tanto uso, que guardava numa gaveta.

Ficava-lhe bem: atrás tapava-lhe o rabo que, generoso, parecia querer mostrar-se, à frente, ligeiramente subida pelos seios que nunca antes albergara, ameaçava a qualquer momento descobrir o que, até há pouco, o lençol teimara em também cobrir.

Conseguiu que a caneca fumegante não lhe caísse ao chão...

(...)

Muito obrigada…

Escrito por Marisa às 09:10
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