Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

Despedida

Ontem foi a noite de despedida…

A minha última caminhada de Verão pela praia… já não fui de vestidinho de alças, ou chinelas, sequer calças de linho.

Mas a imagem de uma praia deserta, de um pôr-do-sol solitário, a brisa que nos percorre o corpo e faz apertar-nos contra nós, sentir o mundo… hummmm … indescritível .

Todo fascínio que tenho por um sítio daqueles, onde só o barulho das ondas nos acalma e nos ouve… e ampara as lágrimas, é quando em momentos como aquele, caminho descalça numa areia fria, húmida, mas tremendamente sensual, aquele toque leve mas intenso, aquele friozinho gostoso…

 

                     

De sapatos na mão percorri grande parte do areal, respirando aquele cheiro fantástico e aproveitando cada segundo de um sol que teimava em desaparecer e deixar-me como companhia uma lua conselheira…

Os melhores dias de praia para mim, são aqueles, em que não há confusões, em que o tempo passa ao nosso gosto, em que o mar é só meu…

Ontem fui dizer-lhe que é o meu melhor amigo.

Que aquele passeio que faço tantas vezes e nunca é igual, é dos melhores momentos que tenho.

Que tudo o que deixo por lá, é só meu, morrerá connosco.

E quase como se me ouvisse, uma onda chegou mais acima e molhou-me levemente os pés, um arrepio percorreu todo o meu corpo, uma forte gargalhada invadiu-me e alma e misturou-se com a melancolia que me habitava, sorrir depois de se chorar, com lágrimas no rosto, é das melhores coisas da vida.

A liberdade que se sente ao percorrer um percurso que é também a nossa vida, em que o cansaço nos faz sentir vivos, e a noite nos aconchega, é imensa…

Sento-me em frente ao mar, pouso os sapatos e aperto-me com força, com um sorriso nos lábios, como se dum ritual se tratasse, como o meu viver dependesse daquele momento.

Olhar para o horizonte é a melhor forma de nos encontrarmos, ou se calhar perceber o quão pequeno somos.

Fiquei ali, nem sei por quando tempo, o frio tinha-se apoderado de mim e deixei de me sentir, o que em certas alturas nos faz muito bem, a alma fica leve, como que adormecida, e agora sim, é de noite.

Levanto-me, molho mais uma vez, agora propositadamente, os pés, volto arrepiar-me, como que acordando de um estado de levitação, corro até onde tinha iniciado a minha despedida, olho novamente o mar e vou embora, sem nunca olhar para trás…

Voltarei no meu Outono…

 

Escrito por Marisa às 09:47
Piacere | Grazie
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