Segunda-feira, 5 de Junho de 2006

Inesquecível

As palavras ecoavam no meu pensamento ‘Será inesquecível…’

À hora combinada estava lá!

Não gosto de me atrasar, detesto atrasos e pouco antes da hora pedida eu subia as escadas que davam acesso à suite…

Imaginei que seria a primeira a chegar, era sempre…

Mas não, no chão em frente à porta, uma túlipa branca, estrategicamente colocada, como se ali tivesse nascido, como se sempre lá tivesse estado… a porta entreaberta, deveria eu entrar?

 

Confesso que espreitei, a ansiedade apoderava-se de mim, mas não podia bater à porta, não queria, eu precisava de uma entrada convicta, triunfal, que demonstrasse que eu ia decidida!

Ouço passos a aproximarem-se… por trás de mim, mesmo junto ao meu ouvido pude ouvir:

-Não vai entrar?

Um arrepio que me percorreu todo o corpo, só consegui resistir porque não quis olhar para trás, como se o que acontecia fosse algo banal para mim… não era, estava completamente petrificada.

 

-Com certeza!- disse com a voz mais segura e calma que consegui demonstrar. Abri a porta e entrei, entrou atrás de mim e ouvi a porta a fechar… e trancar…

-Olá boa tarde, muito prazer, então é você a Daniela?

-Parece que sim! E você o Ricardo?

-Sou, mas vamos entrando.

Cumprimentei-o cordialmente e tentei disfarçar o nervosismo, ainda bem que não tinha que escrever ou a minha caligrafia trair-me-ia.

-Bom começo por lhe agradecer o facto de se dispor a visitar-me, para tratarmos dessas pendências profissionais, tão maçadoras…

-Sim mas deixemo-nos de banalidades, ambos sabemos porque aqui estamos!

Avancei, tudo aquilo era demasiado sedutor para estarmos com aquele tipo de conversas, se bem que o jogo me excitava profundamente.

 

-Muito bem, champanhe?

-Aceito.

-Sabes que até te ver à minha frente, nunca acreditei que realmente viesses, quer dizer, porque virias?

-Primeiro não me trata por tu, porque eu também não o fiz consigo e na realidade somos desconhecidos, segundo, como vê, estou aqui e estou a ter uma reunião, logo vamos dar seguimento aos trabalhos, para que não se prolongue para fora de horas.

Disse isto de maneira tão convincente que até a mim deu vontade de rir.

Ahahahah como queira Daniela, vamos então pra sala de reuniões…

 

A visão que tive assim que entrei naquela sala foi em tudo superior a um sonho, era de um requinte tal, que novamente me deixou absolutamente fascinada.

-Mas que luxúria, tem a certeza de que julgava que eu não viria?

-Tinha as minhas reticências, pelo sim pelo não e do pouco que conhecia de si, resolvi preparar-lhe algo que me parece bem ao seu gosto, estou errado?

Ainda que eu tentasse contrariá-lo, o que de facto me passou pela cabeça, era impossível fazê-lo tal era o brilho no meu olhar, a antecipação do que se seguiria voltava a deixar-me com a boca seca…

-Meu Deus, mas estão aqui centenas de tulipas brancas…

 

                   

 

-As suas preferidas, certo?

Acenei afirmativamente, cheguei a ficar emocionada!

Segurei a flute que me deu delicadamente, pediu a minha mala, o casaco que apenas cobria os ombros, e enquanto foi arrumá-los fiquei ali a admirar todo aquele cenário absolutamente deslumbrante, onírico, fabuloso.

 

Não sei se deveria ter vindo embora… tal era o meu nervosismo.

Voltou e percebendo o quão fascinada e ao mesmo tempo desconfortável com tudo aquilo eu estava, disse-me sorrindo.

-Esteja à vontade a partir de agora este espaço é só nosso e eu quero senti-la aqui como a sentia nas suas palavras, toda a sua força e garra e bom humor, aliás ainda não a ouvi a sorrir.

Inevitavelmente tive de sorrir aliás o nervosismo não me permitia outra coisa.

Aquela sala, além de cuidadosamente decorada, cheirava maravilhosamente bem e no centro uma chaise long vermelha, coberta com um manto preto de veludo, ladeada por duas taças com uvas e cerejas, que tentação!

 

-Sabe que estou completamente estarrecida, quer dizer nem imaginei que algum dia teria direito a tudo isto…

-O que fiz foi colocar aqui um pouco de que me dizia agradar-lhe, o requinte, as frutas, as flores, quero mesmo que seja inesquecível.

-Disso esteja certo!

Levou-me até à chaise long , sentei-me, deu-me uma uva que repartimos entre lábios e devo dizer que a excitação foi tanta que me ia engasgando na uva, já nem consegui descortinar se sonhava ou era mesmo real…

 

Tirou a minha camisa que desabotoou muito calmamente, vagarosamente, como se apreciasse cada botão, desnudou os meus seios, olhou pra mim, sorriu:

-Este momento foi tantas vezes sonhado por mim, que só por si já valeu tudo.

Ainda me senti mais desconfortável, definitivamente não era o meu mundo.

Beijou-me delicadamente, deu-me champanhe a beber que entornou propositadamente, lambendo mesmo quando chegava ao umbigo… a minha respiração tornava-se tão intensa que só mordiscando o lábio inferior conseguia conter os gemidos.

 

Deitou-me, tirou a sua camisa que mostrou um peito, maduro, experiente, vivido, ainda assim cuidado e belo, lambi levemente os seus mamilos, a minha vontade era mordê-los mas com toda aquela envolvência provavelmente, seria incapaz de o fazer com a calma necessária.

Resolvi despir a minha saia que afinal já só incomodava, resolvi tirar-lhe as calças que imagino lhe causassem algum desconforto, ficámos assim algum tempo a saborear uvas e cerejas e champanhe e a sorrir e a beijar cada centímetro de pele.

 

-Desde o primeiro dia que falámos, anseio por este momento.

Ahahahahahahahaah , então não percamos mais tempo…

O que se seguiu foi dos momentos mais intensos que toda a minha vida terá, que toda a vida guardarei, o mimo, a dedicação e carinho que me dedicou, enquanto me despia, enquanto me dava de beber, de comer, enquanto fazíamos amor uma e outra e outra vez, foi de uma grandeza tremenda.

                       

                                  

Tão intenso como só dois orgasmos em simultâneo podem descrever.

Amou-me como não julgava ser possível, naquela chaise long que nos acolhia tão bem, onde nos despojámos de qualquer pudor, onde experimentámos tudo o que havíamos falado anteriormente, eu não queria que tivesse terminado nunca.

-Tu não és Daniela, pois não?

Ahahahahaha , tu és Ricardo?

Ahahahahahah …

O cansaço que ambos acusávamos fez-nos parar por momentos e constatar… de facto tinha sido perfeito, inesquecível…

-Preciso ir embora.

-Só depois do banho que vou preparar para nós… espera…

 

Escrito por Marisa às 09:09
Piacere | Vero? | Grazie
|
11 comentários:
De Ca a 15 de Julho de 2006 às 04:50
Envolvente!
Estive lá!
Obrigada por partilhares.
Siga, que está a ser bom demais...
De homem de negro a 8 de Junho de 2006 às 10:19
Intenso, maravilhoso, profundo, devasso... O teu rosto e o teu ser, fielmente retratados, nessas palavras que nos deixas todos os dias... Baci per te, a gente vê-se por aí...
De Marisa a 8 de Junho de 2006 às 10:22
Só assim faz sentido pra mim...
Grazie, baci per te.
De Carlos a 6 de Junho de 2006 às 14:10
As tuas mãos acariciam
O meu rosto,
Deslizam
Pelo meu corpo
Sinto o sabor
Da tua boca.
Perdido de amor
Simplesmente louco.
Sinto o teu perfume
A tua pele suada
E um som de queixume,
Mistura-se a uma balada.
De repente fixo o teu olhar
E beijo-te com ternura
Sem limites para dar
Amor com loucura.

De Marisa a 6 de Junho de 2006 às 14:27
Hummmmmmm!!!
De Vasco__27 a 6 de Junho de 2006 às 12:14
Potente... Grande encontro... Dá para sonhar, como habitual...

Baci,bella
De Marisa a 6 de Junho de 2006 às 12:16
Inesquecível, Vasco.
Baci ragazzo.
De Dossier de Argolas a 6 de Junho de 2006 às 09:28
E a musica? Não havia musica? Quem sabe, Eros Ramazzotti... ou seria Laura Pausinni? Andrea Bocelli não me parece que fosse! Mas musica tinha que haver, ou dificilmente seria vero piacere...
Mamma mia...
Ariverdecci bambina!
De Marisa a 6 de Junho de 2006 às 09:33
Olá! Pois não havia música, mas tudo o que ele me disse foi verdadeira música para os meus ouvidos. Às vezes a música faz-nos abstrair de outros pormenores também importantes... E foi de facto un vero piacere . Gazie , baci ragazzo .
De Tulipa Negra a 5 de Junho de 2006 às 11:00
Mas que rico fim de semana! Sugestivo e muito bem escrito. Até parece que estava a ver. Um beijinho Marisa
De Marisa a 5 de Junho de 2006 às 11:03
Olá Tulipa, não foi no fim-de-semana, estava guardado na minha alma e resolvi, deixá-lo cá. Que bom que gostaste, as descrições ajudam a sonhar... Baci per te.

Vero?

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