Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

A minha BMX

Recordo-me poucas vezes da minha infância… não porque tenha sido particularmente infeliz ou porque me custe fazê-lo, talvez porque não queira perceber que aquele tempo de inocência, felicidade, alegria e pureza, tenham terminado.

Tive uma infância nem sempre feliz ou fácil, mas vivida plenamente, livremente e que teve como único amargo o facto de ter sido bastante curta… terminou rápido demais e passou rapidamente à fase adulta, entre a criança e a mulher passou tudo repentinamente, nunca fui adolescente, passaram-se episódios conturbados e mal experimentados que esses sim, não faço questão de recordar.

Mas a minha infância…

Em dias de chuva ou frio como o de hoje, gosto de me recostar no sofá, envolta num cobertor quentinho e enquanto aperto uma chávena de café fumegante, olho para o nada, de onde me é permitido ver a criança que eu fui… invariavelmente tenho de recordar-me da melhor das memórias, do que ainda me provoca um brilhozinho nos olhos e há-de provocar sempre… a minha BMX amarela!

 

                   

 

Não sei muito bem quando é que o meu pai ma deu, sei que me ensinou a andar nela, incansavelmente, até me tornar uma corredora nata.

Nunca um carro há-de alcançar a velocidade que eu sentia, nunca um avião há-de conseguir voar mais alto que eu em cima da minha bicicleta, nunca nada há-de fazer pular mais o meu coração no peito, nunca nenhuma sensação há-de ser melhor que aquela que eu vivia, quando corria ao som dos Xutos e Pontapés- Casinha… que saudades…

Lembro-me que o meu pai colocava essa música de propósito só pra me ver a correr para a bicicleta, pegar nela e andar à volta de casa como que possuída, ainda hoje essa música tem gosto a criança, para mim, ainda hoje me faz bem ouvi-la.

E as vezes em que chegava a casa com os joelhos sujos, outras tantas vezes rasgados, pelas deliciosas corridas que fazia com os meus amigos, verdadeiros amigos, únicos amigos, nunca meninas.

Quando o meu pai ma deu, eu ainda não chegava ao chão em cima dela, de maneira que lhe ganhei tamanho carinho e dedicação… que já era demasiado pequena, já o guiador me magoava os joelhos e eu recusava-me a encostá-la lá em casa, ainda assim ganhava as metas.

Metade da minha infância está em cima daquela bicicleta, grande parte dos meus sorrisos foram em cima dela, as melhores quedas foram dela e sempre os assumi orgulhosamente. O meu pai dizia que só se sabia andar bem de bicicleta quando se dessem três grandes quedas, obviamente que excedi a estatística largamente e ia contar-lhe orgulhosamente, que não tinha conseguido travar na ribanceira e lá tinha eu ido parar mais uma vez à terra do Ti Manel … que saudades.

Não sei onde pára essa bicicleta, se calhar está no sótão da outra casa, se calhar está em casa dos meus avós… acho que não a quero ver… deve estar tão velhinha, prefiro recordar-me de como era amarela, brilhante, linda… e depois acho que se a visse… ainda me colocava de novo em cima dela, só pra dar mais uma volta…

Escrito por Marisa às 09:26
Piacere | Vero? | Grazie
|
24 comentários:
De Ca a 5 de Janeiro de 2007 às 12:49
É na infância que uma menina se faz mulher!!

Tu própria és arte!

Liiiiiiiiiiiiiiiiiiindo.

Jito
De Marisa a 5 de Janeiro de 2007 às 14:25
Ó pá não morres de saudades disto?
E das tartes de maçã que fazíamos em tua casa? E das corridas de bicicleta em que nos enchíamos de lama?
Que bom lembrar...

Jão!
De Ca a 15 de Janeiro de 2007 às 13:57
Ó gaja, isso é pergunta que se faça???!!! An???!!

E os bolos cocos que me dispensas-te??!!

Moles, mas saborosos!!

Jinho, aliás montes de jinhos!!

Temos que combinar uma desforra de bike!! Que tal??!! :))
De Marisa a 15 de Janeiro de 2007 às 14:56
Olha acho óptima ideia!
Temos é que nos encher de lama, para depois nos lavarmos no jardim, como era hábito!
Ahahahahahaha, era maravilhoso.

Beijinho.
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 21 de Dezembro de 2006 às 19:10
Ora viva!

Eu também tive uma óptima relação com a minha BMX Thunder, branquinha, toda xpto, comprada numas quaisquer férias, como presente de passagem de ano escolar, numa loja na Costa da Caparica.

Porém, a minha primeira bicicleta foi uma `qualquer-coisa` Janota, pois não me lembro da marca mas só do odelo, e era cor-de-laranja e tinha um guiador tipo pasteleira. Assm que apareceram as BMX quis logo ter uma mas tive que me portar muiiiiito bem para a merecer.

Cara Marisa, gostei imenso desta sua partilha de recordações de infância. Espero que tenha cicatrizes tão giras quanto as minhas nos joelhos e canelas por causa dos tombos na bicicleta.

Um abraço...
shakermaker
De Marisa a 22 de Dezembro de 2006 às 09:15
Olá Shakermaker!
Pois de facto estas nossas recordações de infancia que não podem passar em branco, (as cicatrizes não deixam) são algo de delicioso.
É que naquela altura era mesmo possível ser-se feliz era só precisa uma bicicleta...
Tive tambem outras bicicletas, mas nunca comparávei sequer com aquela.

Obrigada pela visita, um beijinho de Feliz Natal para si.
De apenasMadalena a 18 de Dezembro de 2006 às 12:39
Olá :)
Desculpa a invasão, mas o teu blog foi-me indicado por um amigo nosso comum e resolvi vir espreitar e confesso que fikei surpreendida.
A naturalidade com que abordas os assuntos é incrível.
Eu costumo ser uma pessoa sem tabus e sem problemas em falar sobre seja o que for, mas tenho que admitir que ñ seria capaz de escrever com tanta facilidade sobre determinados assuntos.
Claro que não é 1 crítica! Quem sou eu!!
Espero que não fiques aborrecida,tá?
Passa no meu blog, terei muito gosto :))
Bjokas
Madalena
De Marisa a 18 de Dezembro de 2006 às 16:19
Olá!
Eu já conheço o teu blog, tambem porque o vi noutro espaço e espreitei.
Não tenho que desculpar nada, adorei a invasão, aliás é tudo muito mais simples quando a nossa audácia nos permite explorar.
Eu não vejo aí critica nenhuma, cada um é como cada qual, eu só sei ser assim e só consigo escrever desta forma, sendo fiel a mim mesma, deixando aqui os meus piaceres e tu estás convidada a passar por cá para os ler e deixar tambem os teus...
Passarei com certeza e deixo-te um beijinho cá e outro lá.
De INPulso a 18 de Dezembro de 2006 às 11:59
...apenas que me deixou com um sorriso de "orelha a orelha"...Recordei a cada passagem da sua leitura, os meus tempos de infância...Gostei..muito...Obrigado!...
De Marisa a 18 de Dezembro de 2006 às 16:16
É como fico quando o vejo por cá.
Como vai?
Adorei recebê-lo, tome um beijo que é seu pela simpatia.
De cheiodetesão a 17 de Dezembro de 2006 às 10:43
Não tenho estado por aqui. Não faz mal! Chegar e ler um post tão ternurento, tão revelador, é muito bom.

É um post que sabe bem ler, a vida sem recordações dessas é bem menos valiosa.

Olá Marisa, um beijinho de bom domingo, com sabor a pastel de nata...
De Marisa a 18 de Dezembro de 2006 às 16:14
Pois não tens estado, mas quando chegas é sempre uma alegria imensa, enches-me a 'casa'!
Sempre imenso o mimo com que me comentas, sempre linda a forma como chegas e vais... muito obrigada.
O meu beijinho de pastel de nata... com sabor a canela, ahahahaha
De dezidério a 16 de Dezembro de 2006 às 23:40
Tb tive um BMX, que ( curiosamente ) entrou na minha vida pela chaminé de um Natal já longínquo. Bonito post este em que revives essa ‘ riqueza ‘ que é ( foi ) a infância. Naquele tempo ( de criança ) uma BMX valia mais que todo o dinheiro do mundo. Lembras-te ? Sorriso.
De Marisa a 18 de Dezembro de 2006 às 16:12
Olá Desidério.
A minha BMX provavelmente tambem terá chegado numa dessas épocas felizes. Mas vejo que lhe agradou este meu texto, como vê eu gosto de escrever para além do sexo ou das sensações que ele transmite, o que deixo aqui são os meus piaceres, obviamente que vão bem além desses prazeres carnais.
Naquele tempo o dinheiro simplesmente não tinha valor e se quer saber, para mim ainda hioe não tem, só as coisas que posso comprar com ele e outras tantas que nunca moeda nenhuma comprará...

Muito obrigada, um sorriso para si!
De ZePedro a 15 de Dezembro de 2006 às 13:49
Memórias de infancia quem as não tem
E memórias boas tantas tambem
É curioso não tenho assim nada de tão marcante como a tua BMX mas antes um conjunto de coisas boas que me aconteceram.
Cada uma das quais com o seu valor intrinseco mas pensando bem nenhuma se sobrepõe a qualquer outra, depois de te ler passaram diversas pela minha mente tipo filme em fast forward mas nenhuma se destacou, mas é bom saber que elas existem e que nos marcam pela positiva.
Obrigado pela partilha das tuas memórias
Beijo
De Marisa a 15 de Dezembro de 2006 às 15:58
Olá ZePedro.
Pois é recordações de infancia, todos nós temos, mas teremos nós o tempo e o desprendimento necessários para nos recordarmos delas devidamente?
Saberemos nós sorrir ao lembrar dos melhores ou mais caricatos momentos?
Recorda esse conjunto de momentos sempre que possas, tambem eles são responsáveis pelo que és hoje...
Obrigada pela habitual simpatia, um beijo.
De dossier_de_argolas a 15 de Dezembro de 2006 às 08:01
Recordações, Marisa. Parece-me bem.
Até a estou a ver, a acelerar na "bicla" pela rua abaixo, num sprint cerrado, a corrente a saltar e .... catrapimba. Marisa o chão, mãos e joelhos esfolados! Lágrima orgulhosa ao canto do olho...chorar não, que é fraqueza!
Enfim...memories!
Bacci per te, ragazza
De Marisa a 15 de Dezembro de 2006 às 10:03
Olá Dossier, que saudades...
Não o via por cá há imenso tempo.
Mas estas recordações, são um prazer muito especial sabe, daqwueles que ainda que se contem minuciosamente nunca ninguem vai sentir com o nós, está cravado na alma e não sai mais.
E olhe de facto fazia isso tudo, mandava-me rua abaixo e caía, e aí permita-me discurdar de si, às vezes chorava sim, às vezes choro... e não é fraqueza nenhuma, acho mesmo que é uma grandeza, o acto de se chorar...
Enfim... memories!

Obrigada, un bisou pour toi.
De dossier_de_argolas a 15 de Dezembro de 2006 às 14:50
Mais oui! Mais oui!
Chore então, seja corajosa!
...et merci, pour le bisou!
(um "bisou en français" sabe sempre melhor!)
De Marisa a 15 de Dezembro de 2006 às 16:00
C'est ça!
Un bisou en francais pour toi mon amie.
De Maeve a 14 de Dezembro de 2006 às 16:36

Tudo o que me faz lembrar da minha infância, deixa-me com um sorriso saudoso.
Talvez pelo facto de ninguém me segurar em casa quando era miúda, porque eu andava sempre na rua na brincadeira onde de facto andar de bicicleta( a minha era cor de laranja) era obrigatório.
E os tombos eram tantos que ficaram as medalhas para lembrança (principalmente nos joelhos).
Onde 95% dos meus amigos também eram rapazes.(ainda hoje se mantém assim)
E eu era uma Maria rapaz (acho que ainda hoje sou)
Boas lembranças...
Beijocas amiga
De Marisa a 14 de Dezembro de 2006 às 17:02
Olá Maeve.
Grandes recordações, não são?
Tambem tens medalhas dessas?
Ahahaahahaha, pois é a prova viva de que estivemos lá de que as quedas foram nossas e sabiam tão bem...
Eu tambem era uma maria rapaz, acho que agora não sou tanto, ainda que continue a não achar piada a barbies...
Obrigada pela partilha, um beijo imenso.
De waterfall a 14 de Dezembro de 2006 às 12:22
Esta história emocionou-me!
De Marisa a 14 de Dezembro de 2006 às 12:52
Tambem a mim... emociona sempre.

Obrigada pela visita, um beijo.

Vero?

veropiacere@sapo.pt

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