Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006

Dança

Eu me lembro de teu corpo
Esgueirando-se sensual
Pela gula de meu olhar.
No compasso rítmico,
Sibilando,
Trazendo para mim
Tua arte feita de carne.
Degusto na memória,
Ansioso,
O arfar de teus seios
E o suor de tua face.
Que gozo escondia teu sorriso?


                                                                                                        Paulo Mont'Alverne

 

Escrito por Marisa às 14:23
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Terça-feira, 26 de Setembro de 2006

Visões de Outono -II

Que magnifica visão, encostou-se na ombreira da porta e deteve-se a ver aquele homem de meia-idade, cabelos cuidados, tremendamente sedutor, definitivamente a vida tinha sido generosa para com ele.

O cheiro a café chegou ao quarto e acordou-a com aquele magnifico aroma quente. Vestiu a primeira camisola que encontrou e dirigiu-se à cozinha, ainda com o sorriso com que havia adormecido na noite anterior, ainda com o cheiro dele cravado no corpo e sobretudo na alma…

Vê-lo ali de tronco nu, corpo bonito, pele escura e cheirosa, a preparar um café para eles, era algo tremendamente belo, excitante. O desvelo com que o fazia, a maneira como se movimentava, deixava perceber uma musculatura bem trabalhada, e por dentro daquele corpo um homem bom, generoso, culto, elegante, educado, cuidado, sensual… pensou enquanto o apreciava e percebia o quão feliz era, por tê-lo para si, naquele momento.

Sem que desse por isso, ele já a tinha avistado e como se ambos percebessem simultaneamente que o que se tinha passado, que aquela noite de amor e desejo, não era um sonho, mas luxuriosamente real, sorriram um para o outro, ela inebriada pelo cheiro do café que vinha da chávena que ele segurava, ele fascinado pela beleza que aquela imagem carregava, uma velha camisola de algodão sua a cobrir o corpo daquela mulher, nunca teria dado tanta importância a uma simples e velha camisola…

-Bom dia!

-Bom dia minha querida… dormiste bem? - Disse-lhe ainda incomodado com aquela visão.

-Sim, muito bem… e tu? - Perguntou com um sorriso quase infantil e igualmente sensual nos lábios, enquanto roçava uma perna ao de leve na outra e bocejava sedutoramente.

-Maravilhosamente bem, queres? – Mostrando-lhe a chávena que fumegava nas suas mãos.

Caminhou para ele, em bicos de pés, o que fazia subir a camisola, ligeiramente, deixando antever as ancas, e ele quis, secretamente, que a camisola encolhesse naquele momento… o chão estava gelado aliás como toda casa em si, pegou-lhe na chávena, pousou-a em cima da mesa, olhou para ele, ajeitou uma madeixa de cabelo e beijou-o meigamente nos lábios macios e delicados, sussurrou-lhe ao ouvido…

 

                   

 

-Depois… bebemos depois…

 

Escrito por Marisa às 17:48
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Segunda-feira, 25 de Setembro de 2006

Visões de Outono -I

Naquela sua pequena casa de campo, isolada de tudo e todos, do relvado frente à sala que abria sobre a mata de carvalhos com o riacho a correr próximo, podia sentir o cheiro molhado da chuva nocturna, naquela manhã de sol tímido a espreitar na bruma.

O Outono tinha despontado.

Era já visível o início do manto de folhas e pequenos ramos caídos. Mais um mês, e todo aquele quadro estaria perfeito. Para o casal de esquilos, que dali avistava, saltitando e roendo, tudo parecia já perfeito.

Da sala chegava-lhe ainda o cheiro acolhedor da lareira, que acabara por se apagar durante a noite. Era necessário reacendê-la, pensou.

Quando saíra do quarto para ir fazer café, ela dormia ainda, o seu corpo nu sobre os lençóis.

Era uma visão que retinha a cada momento...

Os cabelos ruivos, compridos, em desalinho sobre a almofada, cobriam-lhe parcialmente a cara. Olhos serrados por uma cortina de pestanas, sob as sobrancelhas cuidadas, nariz ligeiramente arrebitado, lábios carnudos esboçando ainda o sorriso do prazer com que adormecera. Pescoço esguio, alargando ligeiramente em baixo para os ombros torneados onde se abrigara de noite. Os seus seios perfeitos, movimentando-se ao ritmo da respiração lenta, não traíam a agitação por que tinham passado. Os mamilos cor de pêssego, que ao seu toque da véspera pareciam ganhar vida própria, repousavam agora diluídos na sua carne.

                     

Uma ponta pudica do lençol que permanecia entre as suas pernas e lhe cobria o umbigo que sabia bem talhado, deixava ver as ancas arredondadas e generosas que lhe parecia conhecer de olhos fechados, mas que não conseguia deixar de olhar. Eram a parte visível das doces nádegas, entre as quais se escondia um cálice de emoções.

As coxas fortes e ginasticadas, que o tinham abraçado em brutais amplexos, repousavam agora emoldurando o lençol. Esse lençol que lhe escondia da vista os vales húmidos que sugara e pelos quais fora sugado, o seu sexo onde tanto de si se tinha perdido durante a noite (ou, como ela gostava de dizer, o seu centro de prazer) naquela dança de corpos e sentidos transpirados, que de tanto tocar e explorar sabia desenhar de cor.

Sim, dormia ainda, e ele não quisera acordá-la ao levantar-se para ir fazer o café.

Tinha acabado de encher uma caneca que fumegava, aquecendo-lhe as mãos, perdido nestas recordações.

Fora então que ela aparecera, envergando apenas, sobre o corpo nu, uma camisola velha de algodão grosso que lhe pertencia a ele, esboroada no cós de tanto uso, que guardava numa gaveta.

Ficava-lhe bem: atrás tapava-lhe o rabo que, generoso, parecia querer mostrar-se, à frente, ligeiramente subida pelos seios que nunca antes albergara, ameaçava a qualquer momento descobrir o que, até há pouco, o lençol teimara em também cobrir.

Conseguiu que a caneca fumegante não lhe caísse ao chão...

(...)

Muito obrigada…

Escrito por Marisa às 09:10
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Temporal De Amor

 

Chuva no telhado, vento no portão
E eu aqui, nessa solidão

Fecho a janela, tá frio nosso quarto
E eu aqui, sem o seu abraço

Doido pra sentir seu cheiro
Doido pra sentir seu gosto
Louco pra beijar seu beijo, matar a saudade
Esse meu desejo

Vê se não demora muito
Coração tá reclamando
Traga logo seu carinho
Tô aqui sozinho, tô te esperando

Quando você chegar
Tira essa roupa molhada
Quero ser a toalha
E o seu cobertor

Quando voce chegar
Quando a saudade sair
Vai trovejar, vai cair...
Um temporal de amor...

 

 

 

                                                                              Leandro & Leonardo

Escrito por Marisa às 16:04
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

Despedida

Ontem foi a noite de despedida…

A minha última caminhada de Verão pela praia… já não fui de vestidinho de alças, ou chinelas, sequer calças de linho.

Mas a imagem de uma praia deserta, de um pôr-do-sol solitário, a brisa que nos percorre o corpo e faz apertar-nos contra nós, sentir o mundo… hummmm … indescritível .

Todo fascínio que tenho por um sítio daqueles, onde só o barulho das ondas nos acalma e nos ouve… e ampara as lágrimas, é quando em momentos como aquele, caminho descalça numa areia fria, húmida, mas tremendamente sensual, aquele toque leve mas intenso, aquele friozinho gostoso…

 

                     

De sapatos na mão percorri grande parte do areal, respirando aquele cheiro fantástico e aproveitando cada segundo de um sol que teimava em desaparecer e deixar-me como companhia uma lua conselheira…

Os melhores dias de praia para mim, são aqueles, em que não há confusões, em que o tempo passa ao nosso gosto, em que o mar é só meu…

Ontem fui dizer-lhe que é o meu melhor amigo.

Que aquele passeio que faço tantas vezes e nunca é igual, é dos melhores momentos que tenho.

Que tudo o que deixo por lá, é só meu, morrerá connosco.

E quase como se me ouvisse, uma onda chegou mais acima e molhou-me levemente os pés, um arrepio percorreu todo o meu corpo, uma forte gargalhada invadiu-me e alma e misturou-se com a melancolia que me habitava, sorrir depois de se chorar, com lágrimas no rosto, é das melhores coisas da vida.

A liberdade que se sente ao percorrer um percurso que é também a nossa vida, em que o cansaço nos faz sentir vivos, e a noite nos aconchega, é imensa…

Sento-me em frente ao mar, pouso os sapatos e aperto-me com força, com um sorriso nos lábios, como se dum ritual se tratasse, como o meu viver dependesse daquele momento.

Olhar para o horizonte é a melhor forma de nos encontrarmos, ou se calhar perceber o quão pequeno somos.

Fiquei ali, nem sei por quando tempo, o frio tinha-se apoderado de mim e deixei de me sentir, o que em certas alturas nos faz muito bem, a alma fica leve, como que adormecida, e agora sim, é de noite.

Levanto-me, molho mais uma vez, agora propositadamente, os pés, volto arrepiar-me, como que acordando de um estado de levitação, corro até onde tinha iniciado a minha despedida, olho novamente o mar e vou embora, sem nunca olhar para trás…

Voltarei no meu Outono…

 

Escrito por Marisa às 09:47
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

Paraíso

Acordei cheia de frio…

Começava a escurecer e eu estava completamente esfomeada, olhei-o e ainda dormia, tão sossegado, mas sempre dono e senhor da minha cama, deitado de barriga para baixo, pernas levemente abertas, braços, um para junto de mim, outro junto à nádega, que visão linda.

Terei ficado ali alguns minutos a contemplar aquele momento perfeito de simplicidade.

Afinal tínhamos o dia combinado e acabámos por nem sair de casa, enquanto nos vestíamos para ir almoçar a casa da minha mãe, o desejo apoderou-se de nós, a paixão falou mais alto e acabámos na cama, novamente nus, a fazer amor durante horas que pareceram segundos, numa dança sincronizada, em que até palavras nos atrapalham os pensamentos e sentimentos… quando demos por nós… era demasiado tarde, e recomeçámos, acabámos completamente exaustos, vencidos pelo cansaço, mas felizes e completos, adormecemos ali mesmo…

Continuava arrepiada… levantei-me bem devagarinho, vesti a sua camisa preta que adoro, e dei por mim a cheirá-la, mais do que o perfume que ele coloca é o seu próprio cheio, acho fiquei instantaneamente excitada… ahahahahahahaha.

Abotoei cada botão, lentamente em frente ao espelho da cómoda, como se se tratasse de um ritual, apanhei os cabelos com um gancho e resolvi ir à cozinha preparar algo para o nosso… almoço.

Preparei uma salada de frutos do mar, já na cozinha, e algumas frutas em pedaços, mais um champanhe e voltei para o nosso ninho, com uma bandeja…

Pousei-a cuidadosamente e fui levantar um pouco a persiana para aproveitarmos o fim de dia.

Quando voltava finalmente para junto dele, percebi uns olhos felizes e brilhantes:

-Que horas são paixão?

-Ahahahahaha, também estás com fome?

-Completamente esfomeado.

-Espera- Fui buscar a bandeja à cómoda – preparei algo rápido para comermos.

-Já ligaste à tua mãe?

-Não, quando ligar voltamos a ligar-nos ao mundo, depois… preparei uma salada de frutos do mar e fruta.

-Delicia, vamos comer para a varanda.

-Mas começa a ficar frio.

-Eu já te disse que ficas um tesão dentro da minha camisa?

-Tu não, os teus olhos disseram-mo instantaneamente.

Levantou-se, vestiu os boxers, foi ao roupeiro buscar um cobertor, abriu a sacada da varanda, puxou o cadeirão de verga para um canto e colocou o cobertor em cima.

-Anda, trás a bandeja, ficamos aqui a comer e a ver o pôr-do-sol, enroladinhos no cobertor.

 

              

Os meus olhos ganharam nova vida, ficar ali, enroscada a ele e os dois num cobertor a saborear os frutos do mar, e o champanhe, e a fruta, e a vida, e o pôr-do-sol… não consigo imaginar nada melhor, nada mais feliz… depois de uma tarde de amor, depois de um sono feliz e tranquilo… o paraíso está em todo lado, cabe-nos a nós proporcioná-lo…

-Já te disse que ficas uma estampa dentro dessa camisa?

-Mas depois de comermos, vais ter que ma tirar…

-Nem discuto… ahahahahahahaha

Escrito por Marisa às 10:12
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