Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006

Beijemo-nos, apenas...

Não. Beijemo-nos, apenas,
Nesta agonia da tarde.

Guarda
Para um momento melhor
Teu viril corpo trigueiro.

O meu desejo não arde;
E a convivência contigo
Modificou-me - sou outro...

A névoa da noite cai.

Já mal distingo a cor fulva
Dosa teus cabelos - És lindo!

A morte,
devia ser
Uma vaga fantasia!

Dá-me o teu braço: - não ponhas
Esse desmaio na voz.



Sim, beijemo-nos apenas,
Que mais precisamos nós?

                                                António Botto                       

Escrito por Marisa às 14:53
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

À velocidade da luz

Um dia cansativo, altamente stressante, e ali estava eu no melhor e mais luxuriante momento do meu dia…

Um duche fabuloso, com água fria que escorria por mim, que me arrepiava depois de um dia com muito calor, mas que me fazia voltar à calma necessária, para recomeçar tudo amanhã, hoje não, agora só eu…

Passava a esponja cheia de espuma pelo corpo, sem esquecer os recantos mais escondidos, adoro contornar as minhas formas com as minhas mãos, bem devagarinho, e faço-o de olhos fechados como que tentando reconhecer-me no escuro, como que adivinhando o que se segue.

Gosto de encostar as palmas das mãos nos azulejos e depois de bem frias, tactear os mamilos, aquele contraste é no mínimo delicioso… e virar-me, deixando a água gelada cair sobre mim, nos meus olhos que estão fechados, o peito, umbigo, hummmm sim, e encostar as costas nos azulejos gelados, as nádegas, a planta dos pés e depois água quente, faz-me sempre suspirar… adoro contrastes.

Lavo cada parte do corpo com minúcia e desvelo, demoro sempre no meu centro de prazer, esqueço-me ahahahahahahaha , as axilas que adoro me beijem e quero sempre impecáveis, os pés, a minha grande perdição…

 

                          

 

E neste ritual, em que me abstraio de tudo o que é exterior aquele duche, é dos locais onde sinto mais prazer, onde estou mais livre, onde sou mais eu, onde choro quando me apetece e é delicioso sentir a água a acompanhar as lágrimas, onde sorrio quando recordo episódios mais felizes da minha vida, ou onde gemo como louca, quando o prazer toma conta de mim…

A luz apagou…

Fiquei no escuro, só ouvia a água a correr, um forte arrepio pelo corpo, olhos arregalados…

Passados alguns minutos, ouvi… chhhhhhhhhhhh ’

A porta do poliban abriu, um toque, o calor de um corpo, um membro duro e nervoso…

Empurrou-me contra os azulejos, sussurrou, ‘Em brasa?’, soltei uma gargalhada que era só o acumular daquele nervoso e a excitação da surpresa, levantou-me, penetrou-me sem mais demoras, todo ele em mim, hummmmmmm , que delicia…

Estaria eu a sonhar, ali no escuro, a água fria a correr, aquele corpo a deixar-me louca, tomou conta de mim, sem que eu desse por isso.

Um orgasmo violento, unhas cravadas na pele, outro… depois o seu… voltou a colocar-me no chão.

Corpos cansados, respirações ofegantes, desligou a água, sentou-me no seu colo e perguntou-me:

-Como foi o teu dia?

Escrito por Marisa às 09:12
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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

Querer

Quero massajar o teu corpo,
Como se te prestasse um tributo de paixão.
E com minhas mãos, como que num ritual,
Percorrer-te todos os caminhos
E dele extrair a chama da combustão.
E cheirá-la por inteiro,
No ardor de farejar o âmago de tua alma fêmea.
E beijá-la voluptuosamente e com meus lábios
Sorver o suor ensandecido de teus poros
Quero, então, corpos unidos,
Dançar ao som de teus gemidos e sussurros
A dança terna e alucinante do amor.

                                                       José Eduardo Mendes Camargo

Escrito por Marisa às 09:20
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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

Olhares...

Nunca hei-de esquecer aquele olhar…

Fomos de fim-de-semana, uma casa linda, em frente a um mar imenso e um horizonte para nos perdermos, até de nós próprios… e de paixão.

Entrámos em casa, arrumei apressadamente as coisas no quarto e tirei a roupa, sempre adorei andar nua por casa e sendo numa casa como aquela, nem pensei duas vezes, dei por mim apenas de lingerie.

Ele entrou no quarto e tivemos que inaugurar o momento, o que significa que após tanto tempo, continua a não me resistir de lingerie, ahahahahaha .

Puxou-me pra si, beijou-me avidamente, apertou-me uma nádega e sussurrou-me que ali começava o melhor fim-de-semana da minha vida… nem ele sabe quanto…

Entre beijos altamente fogosos e lambidelas escaldantes, íamos tirando o que nos restava de roupa, fomos para a varanda do quarto, o dia estava a terminar e aquele lusco-fusco era tremendamente sedutor, o barulho das ondas, a brisa da noite, e aquele cenário, eram algo que me excitava profundamente.

Ali no meio do paraíso, absolutamente alheios ao resto do mundo, nem o barulho das ondas nos distraía, tal o fervor de quem não quer perder nada do que nos espera e aproveita o melhor que a vida nos reserva.

Ele puxava os meus cabelos até eu descer, mas vagarosamente, sedento da minha boca, eu arranhava o seu peito, o que o fazia gemer e me dá um especial gozo, depois beijava cada centímetro da minha pele e lambia o meu sexo, agarrava-me e posicionava-me como lhe apetecia, eu nem contestava, o prazer era infinito… até que ao virar-me aleatoriamente, percebi a presença de um vulto que nos observava, mas que estremeceu quando percebeu que tinha sido denunciado.

                     

Soltei um pequeno grito, o que fez com que me penetrasse selvaticamente, e fiz um sorriso para aquele estranho que nos olhava… ele retribuiu.

Sentir-me observada por aquele homem, deu-me um prazer imenso, quase pecaminoso.

Ficámos ali algum tempo, ora beijando, ora lambendo, ora mordendo, ora gemendo de desejo, de vez em quando olhava para a casa do lado, e ele continuava ali como uma peça de mobiliário, imóvel, a observar, secretamente, como se esperasse pela sua vez, como se tivesse permissão para tal, nunca se moveu dali.

Por fim, quando estávamos completamente exaustos, abraçados, uma leve aragem começou a tornar-se incómoda, entre beijos resolvemos voltar para dentro de casa... mas antes ainda voltei a olhá-lo e a sorrir-lhe…

 

Escrito por Marisa às 09:01
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Quarta-feira, 16 de Agosto de 2006

Homenagem

Ah, o pecado!
Viva o pecado
Que esconde em si
A mais casta virtude.
Pequemos todos, então,
Pois a alternativa
É sermos todos pequenos e vãos.

Deixemos correr
Mãos sobre nádegas
E olhares incestuosos
Sobre nossas próprias amantes.
Degolemos padres e pastores
(que também pecam, só que pecam
escondidos)
Pelo horror de terem inventado
As velhas beatas que nunca souberam
pecar.


E pequemos sem culpa
Porque culpa e pecado
Não sabem dançar um maxixe,
Só valsas vienenses.
Quando muito!
O pecado é belo,
Fulgurante e molhado;
Feito para ser deliciado
Como outra língua em nossa boca.

Fiquemos apenas com a angústia
Do pecado mal feito
Ou do jamais cumprido.
Pequemos o aqui e no agora
O pecado doce
Da quase-castidade abandonada.

Sem o pecado
Não acredito na sinceridade de Deus.

                                                        Paulo Mont'Alverne

Escrito por Marisa às 17:26
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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2006

Rotinas...

Viemos todo o caminho a discutir!

Daquelas discussões horríveis, em que subimos o tom de voz, julgando que nos torna mais credíveis ou fortes.

Acusámo-nos mutuamente, dissemos palavrões, que na realidade eram dispensáveis, mas sabe tremendamente bem pronunciar!

O carro seguia a uma velocidade vertiginosa, eu ajeitava-me no banco… insegura.

Aquela sensação sempre me deu uma adrenalina, perigosamente excitante, nunca lhe pediria para abrandar e naquele caso apenas serviria para que fizesse o oposto…

A verdade é que quando começamos a discutir, normalmente por assuntos irrisórios, mero desentendimento ou divergência de opinião, não conseguimos parar e recuamos no tempo, trazendo todo e qualquer assunto para sairmos vitoriosos daquela batalha.

Nenhum de nós ousa dar razão ao outro, o nosso orgulho só nos permite um faiscar de olhos, tamanha a violência com que nos debatemos.

Há sempre algo a acrescentar, há sempre mais alguma coisa para acusar, não me permito ficar sem argumentos, ainda que tenha a noção de que daquela vez ‘perdi’…

Chegámos a casa!

O comando fez abrir o portão, o carro entrou, devagar…

O portão fecha-se, a luz da garagem não acende…

Desligou o motor do carro.

Ambos olhamos para o vazio, os olhos ainda não se habituaram àquela escuridão, suspiramos em uníssono… uma mão na minha perna…

-Chamaste-me ‘filho da puta’…

-Ora a discussão é entre nós, nada a ver com a família, mas foi o que me ocorreu… de forte…

Silencio novamente…

-És uma cabra e sabes e gostas, deixas-me doido com essa tua personalidade…

-Ahahahahahahaahahhah a sério?

Olhou para mim, passou para o meu lado, baixou o meu banco… rasgou o meu top preto com um ‘sexy’ em letras prateadas …

-Já nos agredimos verbalmente, agora vamos fazê-lo fisicamente…

-Fode-me e cala-te!

Olhou para mim e vi um incontrolável desejo no seu rosto, como se o que eu tinha acabado de dizer o tivesse descontrolado por completo.

Beijou-me avidamente, apertou-me os seios, como eu gosto… e um primeiro gemido…

Nem me importei com a sua nova camisa, eu estava em desigualdade, abri-a nervosamente… lambi-lhe o peito… hummmm, aquele peito ligeiramente peludo, ligeiramente húmido… que loucura.

Levantou as minhas pernas, puxou o meu string azul celeste, de forma desajeitada, aliás como sempre e que eu adoro.

                                

Beijou, lambeu, sugou-me como se o fim da vida fosse daí a segundos, soltei um grito potente e um grande puxão de cabelos…

Empurrei-o contra o pára-brisas… olhar de felina… cara de má, ficou sem jeito, sem perceber se eu ia sair do carro ou continuar ao meu jeito…

Abri-lhe as calças, olhei para ele, continuava inquieto, apoderei-me dele, tomei-o todo pra mim, pude ouvi-lo gemer bem baixinho, como se me quisesse esconder o maravilhoso prazer que estava a sentir, parei, voltei a olhar para ele, sorri… não desisti… e ele não aguentou…

Caiu em cima de mim, caímos em nós, transpirados, felizes, cansados…

O meu mundo estava dentro daquele carro…

-Vamos tomar banho doido?

-Ganhaste… mas eu amo-te, sabias?

Escrito por Marisa às 09:37
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