Segunda-feira, 19 de Junho de 2006

Margueritas e sorrisos...

Tínhamos combinado algo de muito especial…

Devo dizer que há muito não me arranjava tão sublimemente, ou pelo menos com essa ansiedade e entusiasmo.

O meu vestido preto de costas desnudadas, as minhas sandálias de salto alto de camurça, o cabelo apanhado com um travessão, e a maquilhagem, o perfume, tudo bem cuidado.

-Vou buscar-te por volta das 21:00! - Pensava eu enquanto passava creme nas pernas.

As 21.00 chegaram e eu ia jurar que demoraram dias a chegar tal era a expectativa do que me esperava… e chegaram as 21:30… e as 22:00.

E um telefonema apressado:

-Querida perdoa-me, não vamos poder sair, surgiu um grande imprevisto, assim que esteja despachado, vou ter à tua cama.

             

Vais é o caralho – pensei eu – não vou ficar aqui o resto da noite, dentro deste vestido a ver comédias românticas, a chorar baba e ranho e a esperar que tu chegues sabe-se lá quando, pra me dares um beijinho dizeres desculpa e já está… desta vez não!

Se não vens tu, vou sair eu, afinal estou tão especialmente sexy hoje…

Comi qualquer coisa, já que o jantar estava adiado e saí, podia ter ligado a uma amiga, ou a um amigo, ou ter ido ao bar do costume, mas não, fui para bem longe, onde dificilmente alguém me conhecerá, onde a misteriosa mulher possa estar longe de tudo, provavelmente de si, para depois voltar à grande frustração que seria aquela noite.

Passei por um bar que me pareceu bem, calmo, gente bonita, balcão enorme como eu gosto, música ao vivo.

Entrei.

Pedi uma marguerita, sentei-me a balcão e fiquei a ouvir a música de soslaio, agradava-me aquela nova faceta da minha vida, algo de impensável até então!

Nunca me lembro de ter ido a um sítio sequer semelhante aquele, sozinha, e a verdade é que me estava a saber muito bem. Entregue a mim própria…

Aproximou-se uma voz masculina, que me perguntou:

-Sozinha?

-Sim, e pretendo continuar assim.

-Peço perdão, com licença.

E continuei, ali sentada a ver alguns pares a dançar, alguns casais a rirem e namorar, o que me magoava profundamente.

-Desculpe, mas devo insistir, posso convidá-la para dançar?

-Pode, eu é que insisto que pretendo continuar aqui.

-É óbvio que ficou pendurada, ninguém vem tão deslumbrante para um bar, para ficar ao balcão a tomar margueritas, a ouvir música e a roer por dentro.

Por uma vez tive de levantar a cabeça, olhá-lo de frente… quem pensa ele que é, a confrontar-me com a realidade?

 E o que vi, foi um homem de meio idade tremendamente charmoso, não consigo apontar-lhe uma característica especifica que me encantasse, mas o todo era fenomenal, um sorriso absolutamente avassalador.

-Sabe que noutras circunstancias, ou já o teria mandado para algum sitio?

-Provavelmente, mas ambos perderíamos com essa rispidez, vá lá a sua noite não tem que ficar estragada, só porque não foi o que pretendia, deixe-me ajudá-la a recuperar…

Levou-me para uma mesa, pediu outra marguerita e ficámos ali durante horas que pareceram escassos minutos, a falar e a rir, e a saborear uma amarga noite, que se revelou maravilhosa, prazerosa.

Trocámos os números de telefone, combinámos uma saída para breve.

Se o voltarei a ver… não sei, mas que a noite foi inesquecível, disso não tenho a mais pequena dúvida.

Cheguei a casa já quase amanhecia, despi-me na sala, como faço sempre, fui directa à casa de banho e quando me ia deitar, reparei que ele já dormia… ahahahaha...

 

Escrito por Marisa às 09:54
Piacere | Vero? | Grazie
|
13 comentários:
De Ca a 15 de Julho de 2006 às 05:22
Como o tempo é relativo...

Agir... para quê lamentar??!! perda de vida! e é só uma!
De Zuco a 20 de Junho de 2006 às 23:09
Margueritas só ao jarro na Casa Mexico.

Se é para a desgrça é para a desgraça!
De Miguel a 20 de Junho de 2006 às 09:37
Mulher de armas esta...parece-me alguém que conheço. Pena que seja tão inconsequente na prática em relação ao que parecem ser os seus desejos. Talvez lhe ligue, talvez não...fica no ar a duvida. Eu gostava que sim, mas esse é um desejo normal para um romântico que prefere um final feliz a um final irónico. Quem sabe? "Ela" sabe. Sabe-o tão bem que tem medo de admitir que o sabe. Talvez um dia assuma o que quer, o que realmente quer, e então seja feliz, com tudo o que de subjectivo isso acarreta. Uma pergunta; No inicio a mulher arranja-se para arrasar porque era uma "noite especial para ambos" ou porque seria sempre uma noite especial para ela, independentemente da companhia?
De Marisa a 20 de Junho de 2006 às 09:44
As ilações que retirou de um simples texto! Obrigada pela opinião, estes textos são também para isso, divagar, contestar, saborear. Sempre lhe digo, eu arranjo-me sempre e só para mim, o que acontece é que normalmente não sou só eu que gosto do resultado... Baci per te...
De Zuko a 20 de Junho de 2006 às 09:32
Ok.. Exagerei, pronto... Claro que se a Naomi e a Iman (hoje tou numa de coisas exoticas!) me dissessem para as esperar na cama eu ficava lá quietinho...

Mas precebeste a ideia! Se o gajo te prefere ao "imprevisto" , azareco!
De Marisa a 20 de Junho de 2006 às 09:41
Nem tem a ver com preferências, mas só com a minha vida que vai passando , havendo imprevistos ou não, logo tenho de aproveitar... E margueritas ...
De Essa Miuda a 19 de Junho de 2006 às 15:19
Ora aí está a "nossa" Marizinha no seu melhor...:) Deste-me umas ideias fantásticas, Mariza, qual chorar baba e ranho ... qual quê... Já dizia o meu querido avô: "Quem gosta de mim sou eu..." Um beijinho grande, é sempre uma delicia ler-te.
De Essa Miuda a 19 de Junho de 2006 às 15:21
Upsssss ... esqueci-me do Url
De Marisa a 19 de Junho de 2006 às 15:26
O teu avô sabia das coisas...
Ah pois é, chorar faz mal à pele... ahahahahahahaha
Baci per te.
De Zuco a 19 de Junho de 2006 às 14:49
"Vou ter á tua cama"??? Nem que fosse a Claudia Schiffer E a Naomi eu ficava em casa!

Me gustan las Margueritas!

Mole Poblano!
De Marisa a 19 de Junho de 2006 às 15:21
Ahahahahaahahahahaah, Angelina Jolie...
Nahhhh, as margueritas...
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 19 de Junho de 2006 às 10:54
Ora viva Cara Marisa...

Resta saber quem teve a melhor noite, pois esses tais imprevistos que ele mencionou têm muito que se lhe diga, digo eu.

Não, eu não sou má lingua, bem pelo contrário, sou apenas um mero espécimen masculino e isso dia tudo. Ou porventura, quase tudo, o resto não merece a pena mencionar.

Sendo assim, brindo à sua noite maravilhosa com uma marguerita em riste e um sorriso motejo.

Um abraço...
SHAKERMAKER
De Marisa a 19 de Junho de 2006 às 10:58
Caro Shakermaker , como vai? Grata pela visita, que sempre aprecio, dada a sua peculiaridade... Bom se quer que lhe diga, pouco me importa o imprevisto dele, até porque eu também tenho os meus, e ambos sabemos que há imprevistos, absolutamente imperdíveis , eu não tenho grandes ilusões nesse campo. Contudo e porque no caso é o que importa, a minha noite revelou-se até bastante produtiva... não lhe parece? Baci ...

Vero?

veropiacere@sapo.pt

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